August 10, 2007

Rumo ao sol

 
 
 
Para a cabeça de nós todos.

Aqui em casa gostamos muito de receber visitas. E quando a Eliana cogitou a possibilidade de vir de São Paulo passar uns dias por aqui, a alegria de anfitriões nos invadiu, especialmente a minha mãe, motivo maior da visita. Ela demorou a acreditar que Eliana atravessaria quase o país inteiro pra nos brindar com sua presença.

E começaram os preparativos de ambas as partes. Do nosso lado é que tudo estivesse de acordo para que Eliana se sentisse muito a vontade. Dogão recebeu ordens expressas para não tirar o creme dos pés da hóspede, como normalmente faz, enfim…

Do lado de lá, Eliana foi aconselhada a trazer na bagagem roupas leves, filtro solar fator de proteção 50 ou maior e umas encomendas bem particulares que só se encontra na região do Brás.

Eliana foi às compras buscando no vasto e chique comercio da Rua 25 de março roupas leves para enfrentar o calor e também roupa de banho pra se refrescar no Araguaia é claro…

Em outros tempos era só marcar a passagem pegar a mala ir para o aeroporto e pronto. Mas nos dias de hoje esse processo é só a primeira parte. Depois de estar no aeroporto Eliana enfrentou uma verdadeira operação de guerra para embarcar rumo ao sul do Pará.  Sul do Pará não, porque antes teve que passar em Brasília depois desembarcar no estado de Tocantins, onde havia uma simpática pessoa que lhe deu abrigo até chegar o momento dela embarcar na Van rumo, desta vez ao Sul do Pará, que é onde estamos.  Mas até nossa esperada visita chegar até aqui, demorou quatro vezes mais do que demoraria antes da gente saber que existia uma profissão chamada controlador de vôo.

Bom, o mais importante é que ela chegou e aí:

-“Oi  Miga!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

-“Que saudades, você veio mesmo, graças a Deus você chegou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Esse “você veio mesmo, graças a Deus você chegou” foi um desabafo desesperado da parte de minha mãe por causa do atraso da viagem. Era pra nossa esperada hóspede ter chagado muitas e muitas horas antes. 

Esse início de conversa se deu por volta de umas dez e meia da noite e foi até a chegante fechar os olhos involuntariamente.

Eliana trouxe muita alegria com seu jeito tão peculiar. Sua aparência chamou a atenção das pessoas nas ruas. Ela é diferente, tem um nariz muito empinado e andando pelas ruas daqui, mais parecia a finada Lady DI em missão humanitária por um país pobre. Não importa que seus pés tivessem parecendo uma tartaruga de tão inchados. Quem se importa… Nem ela mesma.  O que chamava a atenção era a sua singular simpatia e seu cabelo “emo”.  Ela é uma boa garota. Come o que tem, toma banho gelado, tem um papo muito animado além de ser uma excelente fotógrafa. www.flogao.com.br/elianaramos. É tão simpática que ganharia fácil fácil a eleição de vereadora e possivelmente seria a presidente da câmara.

Devo esclarecer que o nariz de Eliana é empinado não no sentido fresco da palavra, mas empinado de bem desenhado, herança de sua família européia.

Mas tudo estava muito bem e a programação se seguia com o intuito de nossa visitante se sentir feliz por aqui a ponto de voltar nas próximas férias.  A maior excursão pelo Araguaia estava organizada e o Dudú, meu primo, o melhor guia, coiote da região ia nos levar na sua “rabeca” de navegação. O dia tinha que ser muito proveitoso e isso incluía passeio as ilha da redondeza além de boa comida. A animação necessária e o bom tempo já estavam garantidos.

O que não podíamos prever é que em um desses lugares, havia uma arraia desesperada para encontrar uma vítima. Devo dizer que o lugar não era suspeito, pois a água era muito corrente, que segundo os sábios da região, impróprio para descanso de arraias. Mas a danada estava lá de plantão esperando… E encontrou um pezinho branco de número 34, o da minha mãe.

Como a vítima não fez escândalos, a dúvida da sala de espera do pronto socorro era se realmente havia sido picada por arraia e não por outro “bichinho”. Mas a constatação foi feita e a marca tinha sido feita mesmo por uma arraia.  O monstro mais temido do rio Araguaia. Monstro que de tão cruel mereceu uma música cantada por um compositor da região “se você quer saber o que é rabo de arraia, vá num banho no domingo na praia do Araguaia”.

Bom, tudo acabou bem, exceto pela má impressão que o rio Araguaia deixou para nossa visita. E apesar dos contratempos esperamos que ela volte outra vez.

 

Obs:

O kit básico para um pé esporado de arraia é: antibióticos, antiflamatórios, gaze, algodão, água boricada, mertiolate e tudo mais que a vizinhança indicar, porque eles sabem de tudo. Claro que os mais bizarros, como, mijo de uma virgem, minha mãe ignorou.

July 1, 2007

Aniversário do Blog

 HOJE É ANIVERSÁRIO DO BLOG DO BIGA! Chris, a prima responsável.
 

    Por pura preguiça deixei de documentar vários acontecimentos, mas também me aconselharam  a não ficar por aí “mexendo com o que não devo”. Isso me lembra muito aquela fase que o Brasil viveu no século passado chamada de ditadura militar, que a gente vê nos livros de história e eu assisti a um documentário produzido pela TV escola, onde o historiador Boris Fausto conta detalhadamente todos os acontecimentos dessa época.

Mas no meu blog só conto o que vejo acontecer e não tenho culpa se o “chefe” da cidade não cuida das ruas e as pessoas caem dentro dos buracos e quebram a perna ou perdem sua bicicleta, às vezes o único meio de transporte.

Eu só relato, como cidadão livre que sou, ou acho que sou. Sei lá. Deixa pra lá.

 

O fato é que hoje este blog faz um ano de idade. E estou escrevendo especialmente hoje para comemorar e agradecer por todos os novos amigos que fiz através dele. Mesmo com a dona Alzenir dizendo que “internet é coisa da besta fera meu fiii”.

 

Se bem que entramos no mês de julho e estou de férias. Toda minha família está bem e as musas do meu blog estão chegando na cidade. Hevellyn  e Ludmilla já estão na área. Logo as outras chegaram. E com as histórias que elas produzirem pretendo alimentar esse blog.

A Chris a prima responsável pela turma é quem escuta e faz cumprir todas as recomendações das mães do restante do grupo durante as diligências à praia e até em outros passeios.

A “babá” Chris agora tem um ajudante que é o noivo com quem vai se casar em breve.  O que é muito bom porque ela fica mais leve dividindo as responsabilidades além de muito feliz e sorridente.

Chris, que já era uma moça muito bonita, depois de arranjar o noivo ficou ainda mais bonita. O casamento é para dezembro e o tempo todo se escuta falar em lista de presentes, festa, quem vai carregar alianças, etc, etc, etc..

Só o Diogo não está muito satisfeito com o futuro casamento. Diogo é irmão mais novo da Chris e chora só de pensar na possibilidade da irmã casar, mudar e ainda levar os cachorros com ela. É um golpe duro demais pra ele.

Fico solidário com a situação do Diogo. Imagino o Dogão casando e tendo que ir embora… E ainda levando os cachorros.

November 25, 2006

VAI UM COPO D’ÁGUA?

Para Laurinha

    Sempre gostei de jogar xadrez, mas por falta de parceiro precisei me adequar a outros tipos de jogos para aproveitar melhor a boa companhia, especialmente por se tratar de pessoas tão agradáveis e que só as tenho duas vezes por ano, nas férias de julho e janeiro.  Então, cada minuto é importantíssimo.

Lembrei-me de relatar essa história porque recebi um e-mail sendo comunicado que na véspera de natal alguns dos meus parceiros de jogatina irão chegar.

Mas para jogar nosso jogo não é preciso um esquema cuidadosamente elaborado. No nosso caso o lucro ou vantagem é não encher a bexiga de água ou encher a bexiga. É o conhecido jogo do “copo d’água”.

Bem, analisei profundamente e pude concluir que é um jogo de repente criado por um médico especialista em cuidar dos rins. Não me lembro no momento do nome da especialidade e minha mãe não está presente para que possa me esclarecer. Ela entende bem disso, pois sofreu muito com pedras nos rins e já foi carregada no colo literalmente com uma crise dessas ficando internada por dois dias e quando voltou do hospital, lembro bem de uma de suas amigas se solidarizando com ela, dizendo que cólica renal dói mais que ter um filho e ela respondeu que ainda bem que ela só conhece a dor da cólica renal, o filho, que sou eu, nasceu de cesariana.

Mas provavelmente se minha mãe jogasse o “jogo do copo D’água” não teria problemas com os tais cálculos renais e consequentemente não teria que ter se recusado a fazer um exame para mapear as tais pedras para posterior implosão a laser. Ela se recusou porque o médico queria que ela assinasse um documento onde se responsabilizava, segundo ela, por sua própria morte, pois teria que ter injetado em suas veias um medicamento feito de iodo e caso fosse alérgica se despediria da vida ali mesmo. Ficou tão horrorizada que disse ao médico que tinha muito o que viver.  Voltou pra casa, encomendou garrafadas de chá de quebra pedra misturado com outras ervas medicinais e de acordo com o último exame de ultra sonografia seus rins estão limpos.

Mediante a história relatada não tem perdedores nesse jogo porque quem perde ganha uma lavagem grátis nos rins. Nesse caso o perdedor é o verdadeiro ganhador, concordam?

August 30, 2006

JOGOS INDÍGENAS – PARTE II – EPÍLOGO

No último dia dos jogos indígenas, foi organizado um momento especial, para o encerramento, quando a comissão organizadora pôde fazer todo o “balanço” dos dias do badalado evento, regado a rasgação de seda e puxação de saco. É claro, que o prefeito, como principal autoridade da cidade estava lá no centro de tudo, pra ser vaiado de novo. Digo de novo, porque os seis dias desse evento foram marcados pelas competições entre as tribos, paqueras, shows de músicas bregas do Pará e as vaias que o prefeito ganhou de presente que poderia dizer sem dúvida, um sucesso absoluto. Um evento a parte, porque todo mundo se mobilizava para estar sentadinho na arquibancada e dessa forma não correr o risco de perder o momento em que o governante municipal era chamado ao palco e então, juntarem-se em coro para a vaiada geral.
Por ser o último dia, era também a última das raras oportunidades em que grande parte dos cidadãos da cidade estavam juntos para expressar seus sentimentos de insatisfação através da vaia. Era comum ouvir as pessoas combinando entre si: “-Tá quase na hora, vamos lá dar uma força”.
E assim, todas as vezes que o cacique da cidade – o prefeito- era convocado ao palco principal, a vaia começava e ia tomando proporções que realmente acabava sendo o momento mais emocionante e divertido do evento.
Percebi que as pessoas se sentiam felizes depois desse desabafo. Nos gritos de “uuuuuuuuu” estavam sendo colocados pra fora toda a vontade reprimida pelos populares de esganar o prefeito. Só podia ser isso. Óbvio que era isso.
Meu Deus (pausa para um momento de reflexão), ainda bem que minha tia não ganhou a eleição para prefeita, porque eu ficaria numa situação muito complicada. Num momento histórico, onde as pessoas da cidade reunidas quase em peso; estudantes, professores, ricos, pobres e até índios. Eu ia ficar constrangido entre dar uma força pra democracia através da vaia, porque vaiaria minha própria tia. E minha situação familiar, como ficaria? Criaria um incidente na família considerado gravíssimo, seria uma traição.
Independente de qualquer coisa, de qualquer prefeito, seja o político que for ele tem que ser vaiado pelos cidadãos de bem. Cidadão que é cidadão de verdade tem que exercer o seu direito de vaiador. E foi o que eu fiz naquele momento me juntando aos demais cidadãos e sem dor na consciência (minha tia não ganhou mesmo - pausa para risos).
Mas no último dia, a vaia foi especial, além de ser o último dia do evento, o cacique que estava representando todas as tribos deu um generoso reforço quando disse (no final, na hora da troca de presentes), para o prefeito que Ele (prefeito), era dono do povo mais animado do Brasil e que tinha a obrigação de ser muito feliz por isso. Aí foi, definitivamente, sem dúvida o momento mais… mais… mais estonteante, marcante dos seis dias debaixo de um sol de 50º, pra ver aqueles índios espetando as coisas com suas flechas. As arquibancadas tremeram com as risadas do público, sedento de água (por causa do calor) e de uma boa piada. Eu também estava rindo e muito, mas minha atenção de repente foi roubada quando vi um homem com o corpo tremendo que parecia estar tendo um ataque epilético de tanto rir. Ria, ria e ria. Comecei a ficar preocupado porque ouvi falar que rir demais mata. Chorar demais não mata só deixa o cara, além de muito chateado pelo motivo que o levou a chorar (aliviado também), com os olhos vermelhos e com aquela cara de quem chorou. Se for minha priminha Anna Carolina, além dessas características citadas terá um soluço muito triste de partir o coração (mas acho que é porque ainda tem um ano de idade, depois ficará só com as primeiras características). Mas rir, dizem que mata. Meio contraditório, porque sempre vejo escrito por aí que rir é o melhor remédio, se bem que remédio também mata se for demais.
Mas, o homem estava totalmente sem controle e como ser humano cristão evangélico que sou, pensei que ele fosse realmente morrer. Se bem que se morresse acho que seria de felicidade (ia morrer rindo - um privilégio). E aí eu presenciaria alguém morrer de rir, literalmente. Não pensem que isso me deixaria feliz. Deus me livre. Só ia ver, por estar no lugar certo, na hora certa ou errada, sei lá. O importante, graças a Deus é que ele parou, sentou, ficou triste e danou a xingar o prefeito de “disgraçado, fiu de uma égua, infiliz”; dizendo isso e chorando. Quando vi o anônimo chorar, fiquei contente, porque assim ele dava uma desintoxicada do tanto que riu e se livrava da morte de tanto rir.
Bom, nunca saberei daquela “mistureba” de sentimentos (acho que com um pouco de cachaça) do pobre homem. Só posso imaginar que é mais um eleitor descontente. E eleitor descontente é o que não falta nessa cidade.

August 21, 2006

JOGOS INDÍGENAS EM CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA- PARÁ

 
 
PARTE 1

A semana passada foi toda de preparativos, por parte dos organizadores, para a minha cidade, Conceição do Araguaia, sul do Pará, ser a sede dos jogos indígenas. O 3º jogos indígenas. Meu Deus, eu nem sabia que índio jogava. Meu Deus, eu nem sabia que ainda existia índio, além dos livros e imagens antigas da tv. Meu Deus estou emocionado, vou ver índio. Índio, índio mesmo, aqueles caras que os livros dizem ter sido os primeiros habitantes do Brasil. Que, quando os caras que descobriram o Brasil chegaram aqui encontraram eles (índios) curtindo água de coco e tudo mais e aí Pedro Álvares Cabral e sua turma sacanearam os coitados dando uns presentinhos bem do estilo 1,99 pra comprar a confiança e a amizade deles e botar os coitados pra trabalharem de graça e depois roubarem as terras deles. Sinto-me obrigado a dizer que essa relação entre eles era chamada de escambo (viva a professora Clara, de história, aprendi isso com ela).
Como será um índio???? Pele vermelha, as senhoras com seios avantajados e bem caídos, dependurados com um indiozinho mamando o tempo todo????? Será que é assim?
Ansioso, pergunto pra minha mãe que responde:
- Sei lá.
Como, sei lá? Esqueceu que mãe tem que ter todas as respostas? Mãe, antes de ter um filho tinha que comprar uma Barsa (encicoplédia) onde tivesse todas as respostas, pra nós filhos sermos poupados desse tal de “sei lá”.
Deixa pra lá. Preciso dar asas a minha imaginação, pelo menos até chegar o momento de ver tudo.
Chegou!!! Chegou o dia tão esperado. O estoque de fogos está sendo “explodido” na Praia das Gaivotas (conhecida como praia da Babi- veja meu antigo post). Tudo foi preparado. Arena para as competições, arquibancadas, banheiros, etc. (esse etc é sempre necessário para economizar palavras).
Está na hora. Estou ansioso, ansioso nããão, ansiosíssimo… Desesperado para ver um índio. Preciso ficar calmo, seguindo o conselho da minha mãe, que diz:
- Calma! (enquanto tira fotos de tudo e de todos. Ela é fotógrafa por prazer)
Estou na arquibancada. Vai começar! Vai começar! Cadê os índios?
O locutor está com a voz trêmula e tentando animar as pessoas da arquibancada, dizendo:
- Vamos pessoal, vamos aplaudir, vamos, força nas palmas…
Então, vi o desenho de um peixe bem “grandão” e o desafio dos índios era dar uma flechada no olho do peixe desenhado.
O Terú foi o primeiro. Terú, tremia as pernas mais que o perna longa (o desenho animado) e de tão nervoso, errou. Depois que quase me mijei de rir, caí na real e fiquei com dó do Teru. Claro que isso aconteceu depois que minha mãe e a Glória (nossa amiga), colocaram as duas mãos na cabeça e fechando os olhos gritaram: “Tadinho!”.
O locutor, disse logo:
- Ele errou por falta de aplauso, pessoal. Ele é muito bom nisso! Ele é o melhor, quer dizer, todos são os melhores! (acho que ele ficou com medo de levar uma flechada dos outros e por isso resolveu dizer que todos eram muito bons).
Mas, chegou o momento que achei o mais incrível, fantástico. Meu Deus! É a versão indígena da Xena, a princesa guerreira!!!!! Uma visão emocionante para meus olhos de 12 anos. Estou encantado com a beleza selvagem! Fiquei tão, tão, tão sei lá o que (não acho palavras para expressar minha emoção, se encontrar alguma até o final, escrevo, nem que seja lá no rodapé*).
A princesa guerreira indígena acertou as três tentativas de flechar o olho do peixe. Levou o público a loucura. Parecia um jogo de copa do mundo (não aquele Brasil e França, pensem em um de Brasil e Argentina e o Brasil ganhando de goleada é claro).
Bom, flecha vai, flecha vem, resolvemos dar uma volta pelo lado de fora da arena, porque eu ainda necessitava ver um índio de perto, bem de pertinho.
Depois de tanto andarmos pela praia chegamos ao acampamento dos índios; as cabanas feitas de palhas. Jesus Cristo, aqui tem índio mesmo! Homens, mulheres, crianças… E eram índios mesmo! Todos com seus trajes de índio.
Minha mãe disse logo:
- Oi, tudo bem? Posso tirar algumas fotos de vocês?
Gentilmente, foi atendida e os simpáticos nativos posaram para as fotos. Agradecemos e fomos visitar outras “tocas”.
Foi então que encontramos um índio que provavelmente não estava num bom dia. Estava sentado, meio triste, cara de bravo, com uma mulher do lado (uma índia a quem minha avó Anália chamaria de “feia sem defeito”). Quando o tal índio viu a máquina fotográfica da minha mãe disse:
- Foto só pagando. 5 real. Foto rouba saúde da gente!
Aí, minha disse.
- E os cinco reais são pra devolver a saúde?
E Ela, pra desabafar ainda ficou falando umas coisas em inglês do tipo: “I don’t understand, sorry” só faltou dizer para o índio, “vai te lascar, nativo infeliz” em inglês é claro. Ela não seria tão corajosa pra dizer isso no bom e velho português, muito menos no tupi guarani e não é só porque é muito educada.
A partir daí, fiquei preocupado com medo daquele índio dar uma flechada na minha mãe, por causa da resposta não muito simpática que Ela deu pra ele. Ficou muito claro que ele não gostou dela.
E, para fechar o dia glorioso e cheio de novidades, tive a mais maravilhosa de todas as visões, DANIELA. Embora o nome seja brasileiro comum, trata-se de uma índia de 14 anos linda, de olhos negros e inocentes como o seu sorriso. Tive que disfarçar meu evidente encantamento. Despedi-me de Daniela, mas levei comigo uma foto…

* Não encontrei uma palavra adequada.

August 11, 2006

As últimas das férias de julho

Bem, as férias de julho já se foram. Aqui na minha cidade é assim; lá pro meio de junho já se começa a respirar o clima das férias de julho. As lojas colocam nas prateleiras e mais precisamente nas portas mesmo (pra chamar a atenção da clientela) o estoque de mercadorias encalhadas, que não venderam nos anos anteriores, produtos como coisas de usar na praia, especialmente biquini para a mulherada. Não que eu seja um expert em moda, mas minha mãe e o restante das mulheres da minha vida são profundas conhecedoras de moda, pelo menos dizem que são. Eu acredito, não tenho escolha, sou macho e os machos normalmente não se ligam nesse negócio de moda, basta olhar pro meu pai, que é preciso minha mãe tomar atitudes drásticas algumas vezes com relação a combinação das roupas dele. Quando digo as mulheres da minha vida, me refiro, além da minha mãe, minhas tias e minhas divertidas primas, KAHELUD (que são: Karen, Hevelyn, Ludmilla), Raquel, Cristiane e por tabela, Laurinha e Letícia, que vem sempre para as férias. Tive que falar dessa turma, porque são criaturas muito engraçadas com quem me divirto muito, sempre no bom sentido e acabo aprendendo um pouco sobre a cabeça das mulheres, que as vezes são bem complicadas (se o carinha que elas tão a fim olha, elas disfarçam, se não olha elas ficam arrasadas). Mas essa é outra história que de repente posso falar depois. Voltando às férias: Quando chega julho, lá pelo dia 05, a cidade está cheia de gente de fora, turistas que vem curtir as praias do Rio Araguaia. Não é qualquer praia, estou falando de cerca de 2000 (dois mil) quilômetros de areias limpas. A cidade fica animada. É hora de conhecer pessoas e rever familiares que se programam sempre para aparecer nesse período. A praia mais visitada talvez seja a praia das gaivotas, que fica em frente a cidade e o acesso é fácil (não precisa passar pelo que passamos; veja no post anterior) e as pessoas lotam o local. Lá tem de tudo. As barracas, feitas de palhas, onde vendem lanches, cantam, dançam e brigam de vez em quando, etc. Essa praia, por ter de tudo um pouco, foi apelidada pelos cristãos evangélicos de Babilônia, que minhas primas chamam carinhosamente de Bábi. Na praia da Bábi, para alguns é considerada um antro de perdição, quando ouvi isso pela primeira vez tive que perguntar o que significa, se você caro leitor não sabe, pesquise também. Lá na Bábi, acontece de tudo e vê-se muita coisa, desde as mais lindas gatinhas de corpos bem… bem, como diria, esculturais ( não posso usar outro termo, pois minha mãe, não aprovaria, ela vive me dizendo que não se refere a uma mulher de qualquer jeito), cachaceiro, grupo de pagode, de rap, sem falar que cada barraca tem um som com uma música diferente e sempre tentando colocar uma música mais alta do que a do vizinho. Mas, o grande lance de lá é a paquera. As meninas, minhas primas, chegam, dão uma olhadinha como se não quisessem nada e vão a luta. Carol e Raquel, são as mais velhas do grupo (as que se responsabilizam pelo restante), são as ajuizadas e de vez em quando dão uma contada pra ver se a quantidade confere, se não está faltando ninguém, coisa de gente responsável, tá ligado? Eu sou o mais novo da turma e só vou porque minha mãe confia nas duas. As outras, vão porque as mães delas confiam nas duas, enfim, as duas tem um auto conceito com as mães dos primos adolescentes. Minha prima Carol, leva isso tão a sério, que fui obrigado a ouvir todo o teor de uma paquera muito promissora. Eu até quis sair de perto, pra ser legal, mas Ela disse: - fica aí, sua mãe disse pra eu não te perder de vista. Nesse caso, tive que ouvir tudo. Não vou contar porque fofoca é coisa de mulher, sem querer ofender, é claro. Bom. Minhas férias tinham tudo pra ser ruins, por causa do braço quebrado da minha mãe, mas acabou dando tudo certo. Me diverti bastante, agora é esperar o próximo julho.

July 20, 2006

JULHO, FÉRIAS

Estou de férias escolares e julho é o mês mais animado na minha cidade. Muita praia e turistas vindos dos mais diferentes lugares… Hoje fomos curtir um pouco a praia do Rio Araguaia junto com minha mãe, tia, primas. Foi muito bom e quero compartilhar com vocês o meu dia de hoje.

Primeiro foi à luta para encontrar uma embarcação com um “piloto” que não quisesse nos extorquir, ou seja, resolver os problemas de grana encima das nossas pobres costas; o cara disse:

- “é quinze real Pá levá e quinze pá trazê”.

- “ O QUE?????????? TÁ QUERENDO “ENRICÁ NAS NOSSAS COSTAS???”

Berrou minha prima Hevelyn. Hevelyn depois que foi morar em Belém, longe dos confortos da casa dos pais, está dando mais valor ao dinheiro (benza Deus, diria vovó Anália).

Continuemos:

As mulheres (mão de vaca, incluindo minha mãe), pechincharam quase se humilhando para o tal barqueiro até que uma de minhas primas avistou um pastor da Assembléia de Deus, fazendo um bico de barqueiro ( a coisa tá difícil pra todo mundo) e “atacamos” o homem de Deus.

- “ Pastor! A paz do Senhor”, disse minha educada tia.

E continuou:

_ “Dá pro senhor dá uma carona pra gente até aquela praia ali?”, apontando para a “praia verde”.

O homem não teve tempo de dizer não. A mulherada já tava dentro do barco, menos minha mãe, que está de braço quebrado e dependendo de alguém pra ajuda-la.

Ótimo, o pastor “gente fina” já ia nos levar. E a Volta????????? Vai ter que pagar. O departamento financeiro (minha tia Neném) concordou em fazer uma vaquinha entre os participantes do passeio e bancar a volta.

Ok!!! Estamos na praia, agora temos outro problema, somos os “sem barraca” estamos a procura do barracão do Eduardo, amigo da minha tia. Encontramos um barracão e fomos recebidos gentilmente pelo seu Gogó amassando um fumo pra fazer um cigarrinho de palha.

-“aqui é a barraca do Eduardo?” perguntou minha tia Neném.

- “É”, respondeu “seu Gogó”

Então fomos tomando conta e nos hospedando. Conversa vai e vem foi descoberto pelos adultos organizadores do passeio ( minha tia e minha mãe, o restante da turma todos adolescentes) que o barracão era de outro Eduardo. Todos sorrimos e em coro dissemos :

- “E agora?”

Seu Gogó disse logo: “- Ninguém sai daqui. A casa é de vocês. Que tipo de home é eu que vai deixar mulheres e crianças sem barraca por aí? Num sou doido!!”

-“É isso aí, seu Gogó”. Falou minha tia agradecida, massageando o ego do seu gentil Gogó. O salvador. A partir daí o seu Gógó era um herói pra todos nós.

Entre um mergulho e outro, lanche vai, lanche vem, uma soneca na rede do seu Gogó, fotografias pra pôr nos orkut das garotas ( só o que se ouvia era, “tira uma foto assim, pro meu orkut”, “cuidado pra molhar meu cabelo, fiz escova e vou sair a noite”). A Hevelyn nem “relou” na água por causa do cabelo e resolveu sentar na cadeira do seu Gogó.

Agora use a imaginação pra ouvir a voz da Hevelyn, dizendo:

- “Ái que cadeira cheia de areia?”

Seu Gogó respondeu:

- “ Menina, essa areia não vai deformar seu corpo”.

Percebi que seu Gógo além de herói era sábio.

Conclusão: Quem entra na chuva é pra se molhar e quem vai na praia é pra se sujar de areia.

VIVA SEU GOGÓ!!!!!!!!!!!!!

A HEVELYN TAMBÉM!!!!!!!!!!

 

OBS: PRAIA DE RIO É DIFERENTE DE PRAIA DO MAR. NÃO COMEÇA DA BEIRA, COMEÇA LONGE DA BEIRA E A CADA DIA O VOLUME DE AREIA SE APROXIMA ATÉ CHEGAR NA BEIRA, ISSO ACONTECE DE ACORDO COM O VOLUME DE ÁGUAS DA CHUVA, FICA NA DEPENDÊNCIA DA FALTA DE CHUVA. NESSE MOMENTO PRA CHEGAR ATÉ A PRAIA TEM QUE ATRAVESSAR A NADO OU A BARCO SE NÃO QUISER MORRER AFOGADO.

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