February 11, 2008

Estou um pouco “DENGUOSO”

 

    Faz tempo que não escrevo nada por aqui. Não que não tenha acontecido coisas importantes, tem sim, mas eu é que sou preguiçoso mesmo. Preguiçoso só pra relatar as coisas, pois tenho trabalhado muito e estou bem feliz por isso. Sou muito ansioso e por isso minha genitora (rs) tem que ficar sempre falando que tudo tem seu tempo. E não é que ela tem razão? Não sei a sua, mas a minha tem sempre razão. Parece até que tem um manual secreto de como dar palpite certo para o filho.

E o tempo certo chegou. Há tempos eu estava desesperado pra aumentar meus conhecimentos na área da programação e fui gentilmente convidado a prestar serviços em um lugar que é o máximo pra região daqui. E o que é melhor; aprendo, troco conhecimento e ainda ganho salário. emoticon

Bom, acabei de sair do hospital. Estava internado com sintomas de dengue. Dengue, pra quem não sabe é uma doença transmitida por um mosquito FDP, que adora água limpa pra se procriar. O danado deixa suas larvas até numa tampinha de garrafa. Mas, mais FDP ainda é quem não cuida do seu quintal, deixando o lugar prontinho pra ser maternidade de mosquito. Conclusão: Tem muita gente doente por aqui. Uns graves, outros menos, uns morreram de hemorragia. Aqui em casa até o dogão recolhe coisas possíveis de juntar água no quintal; claro que por motivos diferentes, ele pega pra morder mesmo. Mas ele acaba sendo mais cidadão do que os que se dizem “humanos” e não passas de seres irracionais.

Eu perdi dois dias do meu precioso e produtivo tempo, internado no hospital, sendo furado pra tomar soro e injeções e tudo por causa da falta de consciência das pessoas. Estou feliz, porque foram só dois dias; tem gente que perde a vida mesmo. Eu fui cuidado a tempo e o Dr. Joaquim é gente fina, sabe o que faz. Minha mãe confia nele e conseqüentemente eu também confio.

Fiquei num aptº para ter minha mãe o tempo todo comigo. Nem me importo se alguém diz que sou o “filhinho da mamãe”, sou mesmo. rsrsrs

Se não deixassem minha mãe ficar comigo eu ia ter que citar o artigo 12 do ECA (estatuto da criança e do adolescente) aonde diz que “os estabelecimentos de saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável nos casos de internação da criança ou adolescente”. O ECA só esqueceu de garantir a permanência do animal de estimação, como acompanhante do seu dono no hospital (emoticon). Senti falta do dogão.

Mas, tudo está bem agora, ou pelo menos quase. Estou me recuperando em casa.

November 10, 2007

Olha eu Aqui!

  
    Pode parecer, que por eu não escrever constantemente neste  blog, que não anda acontecendo nada de interessante por aqui.  Não é verdade.  Sempre acontecem coisas, mas eu é que ando um pouco preguiçoso. Agora que parei pra pensar nisso, faço uma reflexão. Pensando bem, não é bem preguiça, ando me dedicando mais à programação, que é um negócio que eu amo fazer.  Consegui montar um cyber para um amigo meu chamado Beto, um cara super gente fina, muito batalhador, bem jovem, casado com uma garota muito legal que faz um bife acebolado delicioso. Almocei na casa deles algumas vezes durante a montagem do cyber. Eles estão esperando o primeiro filho e estão muito felizes por isso.

O cyber está funcionando e o programa que eu fiz pra gerenciar está funcionando a todo vapor. De vez em quando dá uns “paus”, mas nada grave. Ele me liga, pego minha bike e “voou” até lá e acerto tudo.

O Dogão vai muito bem, obrigado.  Está com quase nove meses, bem grande e muito sabido. Perdeu alguns péssimos costumes, como o de comer sapatos (só quando se sente muito solitário) e fazer as necessidades fisiológicas dentro  de casa, mas alguns velhos hábitos ainda cultiva, como o de querer secar os pés da minha mãe quando sai do banho.

Dogão foi convidado a participar de um concurso de cães e ganhou em primeiro lugar da sua raça. Tudo bem que a concorrência não era lá essas coisas, mas valeu.  Ele foi agraciado com uma medalha, um sabonete anti-pulgas, um shampoo, vermífugos e um saco de ração. Nossa foto saiu no jornal da cidade, ficamos meio famosos. Digo meio famosos porque a impressão do jornal é de péssima qualidade e a foto saiu borrada. Só nos reconheceram quem nos conhecia (emoticon).

Estive internado por quase três dias no hospital São Lucas. Tive uma febre muito alta de repente e minha mãe ficou apavorada com os 41 graus de febre, me levando rapidamente para o hospital, achando que poderia ser dengue.  O Dr. Joaquim disse que era por causa da minha garganta (aqui faz muito calor e eu tomo muita água gelada), mas minha mãe quase espremeu literalmente o doutor pra ele dar certeza que não era dengue. Então fiquei por lá até melhorar de fato.  Tomei muitos soros, vendo TV no quarto. A comida do hospital não é ruim, como dizem.  As enfermeiras são muito simpáticas e o Dr. Joaquim é do bem, como todo médico deveria ser.

Voltei pra casa e fiquei emocionado quando o Dogão me viu.  Não consegui saber quem estava com mais saudades, eu dele ou ele de mim…  Não tenho palavras pra descrever meu sentimento por ele.  É meu amigo e não me incomoda o fato dele ter medo de filhote de galinha e de barata. Mas enfrentou uma cobra que entrou na área de serviço da casa. Ele latiu desesperadamente nos fazendo ir até lá pra ver o que estava acontecendo. O Dogão é um herói.

May 23, 2007

Ao meu amigo Dogão

 Dogão de Shorts Momento de descanso
 

   

    Tenho andado muito ocupado ultimamente, mas refletindo sobre os acontecimentos dos meses passados, não posso deixar de documentá-los nesse blog meio abandonado.

Nem sei direito por onde começar.

Bom, fiz 13 anos, ganhei um cachorro e é aí que se vê na prática a velha máxima da vovó Anália que diz sempre “tem coisa que vem do mato pra casa”.  Eu estava levando a minha vidinha tranqüila, escola, poucos amigos, alguns artigos para minha coluna na Oficina da Net, música, passeios de bike… Mas não satisfeito com isso cedi ao desejo íntimo de ter um cachorro. 

Chris, minha prima, me presenteou, logo que sua cadela Dolly deu a luz. Quando meus olhos viram aquele bebê cão tão pequenino e bonitinho, não resisti e foi aí que meu instinto de filho único, que dos quatro aos sete anos de idade guardava todos os brinquedos quebrados e mamadeiras do bico rasgado esperando a chegada de um irmão, foi despertado.

Agora era só esperar o pequeno ser desmamado para que eu pudesse levá-lo pra casa, situação que foi antecipada pelo triste fato da cadela mãe morrer subitamente dezessete dias após o nascimento dos cachorrinhos deixando os pobrezinhos sem leite, problema que resolvemos com a compra de leite ninho e uma minúscula mamadeira.

As primeiras noites do canino em casa não foram muito confortáveis, minha mãe teve que encher a barriga dele de leite no meio da noite para que ele parasse de chorar.  Ela ficou com muita pena, afinal o coitado estava órfão.

Bom, Dogão  está com três meses de vida. Pesa atualmente 4,300kg. A mamadeira é coisa do passado e come ração numa velocidade incrível. Mas ele é muito veloz também em comer papel higiênico, revistas, plantas, sapatos, enfim, caiu na rede é peixe. Dogão não é preconceituoso muito menos seletivo com o que deve comer ou morder por pura diversão.

Está tão íntimo na casa que minha mãe diz que qualquer dia ele vai trocar a fechadura e ficar de dono da residência.

Quanto a mim, para mantê-lo na família tenho que deixá-lo longe de encrencas e isso inclui recolher os detritos expelidos pelo seu intestino e bexiga e também impedir que ele seque os pés da minha mãe com a língua quando ela sai do banho. Ela já disse pra ele que prefere secar os próprios pés com a toalha mesmo.

Já consegui ensinar algumas coisas para o Dogão, como jogar um brinquedo e fazer com que ele traga de volta.  É ótimo ver as orelhas dele balançando ao vento quando andamos de bicicleta ou quando apostamos corrida dentro de casa mesmo.

Um dia desses peguei Dogão dentro do guarda roupa de minha mãe mordendo um pedaço de um vestido dela, confesso que gelei. Mas cheguei a tempo de evitar uma tragédia.

Outro dia, encontrei-o com um sabonete na boca. Consegui tirar parte, mas ele comeu tão rapidinho… Essa travessura lhe rendeu uma diarréia e uma visita à Dra Sara veterinária da cidade. Mas devo confessar que o hálito dele ficou muito perfumado emoticon

Para concluir, só me resta homenagear o meu querido cão Dogão com um poema do Vinícius de Moraes, que peguei de uma apresentação em slides que minha mãe tem, devidamente adaptado por mim.

 

Cachorros, cachorros!

Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Quanto silêncio
Como o queremos!
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu sabão.
Cachorro, cachorro?
Melhor não tê-los
Cachorro é o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus pêlos
Chupam meia de chulé
Bebem xampu
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que um cachorro é!
 

Obs. Dogão é um Cocker.

January 7, 2007

Feliz ano novo!

 
 

    Amigos meus, que saudades de todos vocês. Estive fora do blog, curtindo as festas de fim de ano como todo moleque da minha idade que adora ganhar presentes no natal (e fora dele).

 

Aqui na minha cidade para esse natal houve um esforço dos lojistas para atrair mais fregueses, oferecendo de brinde uma decoração bonita e desejando como retorno bons lucros. Em uma loja pude presenciar a tentativa do dono em melhorar as vendas colocando um jovem rapaz vestido de Papai Noel na porta da loja. Isso seria normal se a barba tivesse bigode e os pés não tivessem de sandálias havaianas. Todo mundo que chegava perguntava pelo bigode e pelo sapato e o coitado tinha que contar que ele calça 40 e a fantasia veio sem bigode e com o sapato 37.

Já no supermercado até a faxineira estava com um gorro de Papai Noel, o que seria natural para a época se ela não demonstrasse um enorme desconforto ao limpar aquele chão, pingando suor (aqui faz um calor do cão), sem falar nos cochichos das pessoas passando lamentando a dureza que devia ser usar um gorro com um calor daqueles e ela tendo que fingir que não estava ouvindo nada…

 

Mas falando em presentes de natal, ganhei alguns, inclusive um MP3, fora os do bingo da noite de natal quando todos da família se reúnem (já é tradição) na casa da minha tia Evanilza, que dessa vez não teve tempo de organizar amigo secreto, portanto fez uma “vaquinha”, comprou umas “prendas” e realizou um bingo, que foi divertidíssimo, até  começarem a jogar os feijões uns nos outros e a cunhada da minha tia achar que estavam desperdiçando os grãos que poderiam ser cozidos nos próximos dias e mesmo assim continuaram a jogar e aí, o apelo foi pelas pobres crianças do mundo que passam fome… Enfim, após mais ou menos uns 10 segundos de reflexão a chuva de feijão continuou… E foi maravilhoso até eu perceber que quem começou essa brincadeira foi minha mãe, minha própria mãe e “contaminou” a todos. É que normalmente não se espera que mãe aja como uma “pestinha” de cinco anos em público (mesmo que esse público seja a família), só em casa. Mas refletindo melhor, entendi de uma vez por todas o porquê dela ser tão querida pela ala jovem e confidente das garotas adolescentes.

Bem, ganhei três prêmios no bingo; um chocolate, que doei ao meu amigo Fabrício; uma tigelinha plástica pequena, que doei para minha tia levar fibras para o serviço e assim facilitar seu regime e um chaveiro que resolvi ficar e ainda estou tentando descobrir uma utilidade pra ele.

Mas, adoro festa de natal, comidas de natal (sabe aqueles pratos só fazem para o natal?), as louças bonitas e os talheres de prata que saem do armário, histórias de natal, árvores de natal, enfeites de natal, ver minha avó Anália cochilando e até mesmo aqueles filmes chatíssimos onde alguém tem que salvar o Papai Noel e a noite de natal, não me incomodam. Também gosto do Pastor lembrando ao povo o que se comemora nesse feriado (que é o aniversário de Jesus e não do Papai Noel) e para aproveitar a igreja cheia diz o que mais leva as pessoas para o inferno o que é admirável, pois hoje em dia pastor não pode falar muita coisa por causa da concorrência, tem igreja em cada esquina e o risco de perder os fiéis é grande, levando em consideração que alguns fiéis são meio sem convicção.

E no outro dia é ótimo comer no almoço as sobras do peru e de tudo mais que se salvou e ficar analisando os presentes e ver a família decidindo o que fazer num mesmo ambiente, como ver o filme do super- man o retorno ou ouvir música ou ainda assistir o dvd do show do Bee Gees, uma banda que eu nem sabia que existia, que tem três caras que a mulherada  na faixa dos 40 acha “um charme” e cantam junto com eles: “I can’t see nobody, No I can’t see nobody, My eyes can look at you…”

E os comentários seguem: “-Homem tem que ser charmoso, educado, inteligente, não necessariamente bonito”.

Vira pra mim e diz: “-Vê-se aprende”.

Realmente os caras do tal show são feios mesmo.

E continuam:  “-Olha o Barry!”

O tal Barry recebeu o lenço de uma mulher passou no rosto, beijou e devolveu para a tal mulher que se derreteu toda por causa do gesto.

Aí pensei que deve ser muito fácil agradar mulher. Mas lembrei que no dia anterior um cara se deu muito mal nessa tentativa.  O tal sujeito armou um encontro com uma menina e foi tão assanhado que deve estar até agora tendo pesadelos com o que ouviu dela.

Aí minha mãe falou que alguém disse a ela que um homem até os 30 anos não sabe nem dar bom dia a uma mulher. Depois completou dizendo que o homem que lhe contou isso vai precisar mais de 40 para aprender a dar bom dia para uma mulher. Ela não quis dizer quem foi, mas o meu suspeito é meu pai.

Pensei no quanto deve ser difícil agradar uma mulher…

 

Bom, para finalizar, Feliz 2007 para todos.

 

Obs: 

Para quem se interessa por programação, visite:

www.vivaolinux.com.br/~gabrielbiga

www.gabrielbiga.tk

www.oficinadanet.com.br

Lá vocês encontrarão artigos meus.

December 9, 2006

Zé - Uma história real

    Zé, que se chama originalmente José, poderia ser uma cara normal como os muitos “José” ou “Zé” espalhados por aí, não fosse sua história de garoto que queria se dar bem na vida sem grande ou nenhum esforço.

Zé é um sujeito jovem, aparentemente saudável, sempre querendo se dar bem. Queria ser empresário do ramo hortifrutigranjeiro, e para isso resolveu roubar as galinhas da vizinhança. Uma das exigências para esse tipo de negócio é ficar no anonimato. Zé ficou tão conhecido que começaram a chamá-lo de Zé Galinha. 

Mas Zé, agora batizado como Zé galinha, não se deu por vencido e continuou na vida de pequenos roubos.  Pequeno para a polícia, porque pra quem foi roubado o roubo nunca é considerado pequeno e pude sentir isso na pele quando o pé de apoio da minha bicicleta foi “surrupiado” e a autoridade, a Diretora da escola disse “é só um pezinho de apoio”.

Mas, voltando ao Zé.

Zé Galinha já estava tão acostumado a se sustentar com a vida de ladroagem que ao sentir fome ia logo procurar algo que pudesse roubar com facilidade.

Certo dia, ele e um de seus amigos e companheiro de ofício, passando por uma casa sem muro, típica casa de cidade bem pequena, escutaram um chiado de panela de pressão e como a cozinha da casa era acessível, resolveu roubar a panela entrando pelo quintal. Enquanto ele corria com a panela, seu amigo ficou escondido imitando o som da panela de pressão. Quando o Zé estava numa boa distância, em segurança com a panela quente, o tal amigo correu também. A dona da panela percebeu que o chiado havia parado, resolveu investigar indo até a cozinha e viu que o almoço da família tinha sido seqüestrado e sem a menor chance de ser resgatado.  Dias depois ficou sabendo que tinha sido coisa do Zé.

Mas entre um roubo e outro, Zé galinha conheceu uma garota por quem se apaixonou perdidamente e foi correspondido. Depois de um período de namoro resolveram casar.

Zé Galinha havia convencido a todos, especialmente a família da noiva que havia mudado de vida. Voltara a ser apenas o Zé.  Estava trabalhando no ofício de confeccionar redes de pescar e sobrevivia vendendo seus honestos produtos.

Certo dia Zé resolveu fazer “uma social” com a família de sua futura esposa e convidou a todos para uma pescaria. O convite foi aceito e partiram para o Rio Araguaia curtir uma noitada agradável em busca de peixes. Claro que as redes de pescar foram fornecidas pelo Zé, como cortesia à sua futura família.

A noite chegou, redes já armadas e depois de uma animada conversa familiar, como já era tarde resolveram tirar uma soneca e enquanto todos dormiam, achando que quando acordassem encontrariam as redes cheias de peixes, Zé se antecipou e recolheu todas as redes com os peixes e fugiu. Escondeu tudo; redes e peixes e voltou como se nada tivesse acontecido. Foi então que aconteceu a recaída do Zé.

Quando todos acordaram, inclusive o Zé, foram ansiosos recolher as redes e a surpresa foi geral. Haviam sido assaltados enquanto dormiam. Ficaram muito chateados pensando que teriam que pagar as redes do Zé, afinal… caramba,  ele tinha sido tão gentil em convidar para a pescaria e oferecer as redes dele para o uso…

Dias depois descobriram toda a farsa do Zé.  Zé foi desmascarado e perdeu a futura família. A noiva terminou o noivado o pai da noiva ficou muito zangado e os ex-futuros cunhados queriam dar uma surra no Zé.

Com a recaída para o roubo, Zé resolveu fazer uma graninha rápida roubando uma vaca de um tio fazendeiro. Tava dando tudo certo. ,oi desmascarado e lus amigos, dormir para fazer dinheiro e conseguir voltar para a cidade.iam dar uma surra no Zgalinhas da v  Roubou a vaca e a gaiola de carregar a vaca. Mas não contava que seu tio ia cruzar na estrada com ele. E foi o que aconteceu. Zé abandonou a vaca na estrada mesmo e fugiu. Seu tio chamou a polícia e começou a caçada ao Zé.

Zé teve que dar um tempo em uma roça de amigos, para não ser preso. Por incrível que pareça, Zé tinha amigos. 

Quando estava completando um mês que o Zé estava na roça, trabalhando na lavoura pelo seu prato de comida, decidiu que não suportava mais aquela vida tranqüila.  Zé chorava todo dia de saudades da cidade. Não agüentava mais não ver uma televisão, apenas ouvia o rádio de pilha e apenas dessa forma ficava sabendo das novidades da cidade. Coisas como “O forró de ontem na praia foi um sucesso” ou “A festa do Peão de Boiadeiro será a melhor de todos os tempos”.  Zé não suportou e disse para o seu anfitrião:

- Rapaz, cadeia ficou foi pra homem. Eu vou-me embora. Posso morrer na cadeia, mas nesse meio de mato não fico mais.

Zé vendeu sua rede de dormir para um peão da roça para ter dinheiro e conseguir voltar para a cidade.

Zé diz que é vítima da sociedade, porque segundo ele esse negócio de estudar e trabalhar é muito cruel com o ser humano.  Disse que até tentou um serviço em um escritório aqui na cidade, mas o entrevistador não o aprovou na entrevista só porque ele falou a cruel palavra “pobrema”.  Só por isso!  Zé não entendeu que ele tinha dois; um era o “pobrema” do desemprego e o outro era o de falar “pobrema”.

Zé diz que tem uma vantagem. Não é “fichado” na polícia. A polícia não o encontrou em decorrência do roubo da vaca e o deixou pra lá. Segundo ele isso é proteção por ter o nome do pai de Jesus.

Falando em Jesus, Zé tem muito medo de arder no fogo do inferno, por isso foi se aconselhar com um Pastor que lhe disse “Meu filho, você é um miserável e infeliz pecador. Saiba que mesmo você sendo esse desgraçado, safado ladrão, Jesus te ama”.

Zé, apesar de um pouco ofendido, com os adjetivos que o Homem de Deus (o Pastor) tinha lhe dado, respeitou e aceitou ser um evangélico.

Agora Zé é um crente. Fala como um crente e acho que pela culpa que carrega ainda pelos seus delitos, se veste como um crente dos velhos tempos. Digo crente dos velhos tempos, porque os crentes de hoje querem se vestir igual aos componentes da Banda gospel  Oficina G3. Mas essa é outra história.

Bom, para finalizar quero dizer que essa é uma história real. Não posso dizer como fiquei sabendo de tudo isso, vai que o Zé não está bem convertido…  Eu heim!                    

November 25, 2006

MINHA AVÓ ANÁLIA É O MÁXIMO


Vovó Anália com vinte e poucos anos de idade.

    Assistir televisão ao lado da vovó é sempre uma diversão à parte. Isso porque quando ela não entorta a cabeça no encosto do sofá e dorme, dando uma leve soprada pelo canto esquerdo da boca, fica fazendo comentários sobre o que está assistindo, tirando a “concentração” e a emoção da atração televisiva. No caso de novelas, nas cenas de romance ela diz logo “Olha que sem vergonha! Se cheirando com esse aí”, virando-se para quem estiver ao seu lado perguntando: “ela é casada? Quanto será que tá ganhando pra ser sem vergonha na televisão?”

Só pára de “sacanear” a atriz quando alguém diz que “é só uma novela!”.

Um dia estávamos assistindo um filme de grande apelo emocional, onde um cara já da idade avançada ia morrer e estava abraçando seu filho, reconciliando-se depois de anos de desentendimento, vovó não perdoou a cena e soltou logo: “O que esses dois machos tão fazendo se abraçando desse jeito?”.  Não tinha outra coisa a fazer a não ser sorrir. 

Mas aos poucos entendi que a vovó se comporta dessa forma porque só entende aquela parte do programa do Gugu onde ele fala “olhaaaa!!!”.

E quem precisa de televisão para se divertir? Minha avó nasceu e cresceu em um tempo que as pessoas não viam a vida passar diante de uma tela de tv. E a prova disso é o número de histórias que ela conta de sua juventude. Dá para perceber sua saudade dos bailes que participava, cheios de glamour. Era uma moça muito bonita de corpo perfeito (sem lipoaspiração e sem silicone) e requintada dos anos 50. Vejo suas fotos e é como se estivesse assistindo a um daqueles filmes antiguíssimos em preto e branco.

Ela conta que uma moça não sentava de pernas abertas, não falava alto e não falava nome feio. Conheço algumas gatinhas que precisavam aprender algumas coisas com a vovó, especialmente a não sentar-se com as pernas abertas, não que eu me incomode, mas elas sentam bem à vontade e acham ruim quando a gente olha.

Vovó, na sua experiência de vida, tem frases inteligentes e engraçadas e as duas coisas ao mesmo tempo, como essa que disse a uma garota muito jovem que não queria compromisso algum com trabalho e estudo e resolveu casar: “Minha filha, quem não presta pra nada, presta pra casar”. Ou ainda, quando vê alguém esbanjando dinheiro: “Coisa boa é dinheiro!”, completando e dando conselho a quem não gosta de economizar: “Guarda com os dentes para comer com as gengivas”. Quer dizer que tem que guardar enquanto jovem para quando ficar velho ter como sobreviver com dignidade.

E aí tem alguém que discorda que minha avó Anália é extremamente sábia?

October 26, 2006

CAÇA TALENTOS

Eu e a Beth no laboratório de ciências biológicas - Feira Vocacional da UEPA / 2006

        Já contei que minha mãe é professora. Por causa disso participo muito, desde pequeno da vida profissional dela em todos os sentidos. Como tenho muita habilidade em informática, procuro ajudá-la a preparar slides e tudo mais para que ela possa ministrar suas aulas, como ela mesma diz, de forma mais atraente e significativa.

Dias atrás aconteceu a feira vocacional da UEPA (Universidade do Estado do Pará), onde minha mãe trabalha e eu fui como convidado dela, que sempre demonstrou muito prazer em que eu a acompanhe nos eventos em que participa isso inclui alguns almoços e jantares deliciosos, já que sou o segundo na hierarquia dos dois homens (o primeiro é meu pai) da família e o primeiro tem outros compromissos.

Mas, a feira vocacional tem como objetivo levar estudantes para conhecer as dependências da Universidade e os cursos que ela oferece, ajudando os futuros alunos escolherem a futura profissão.

Esse evento me fez analisar os talentos de alguns dos meus colegas de aula e conclui que:

A Kauany poderia ser Psicóloga, especializada em hipnose ou advogada, pelo seu poder de convencer. Ela chega perto de alguém da sala e diz: “Por que você está triste?”. E continua conversando com o pobre coitado, insistindo na sua tristeza; sujeito esse que há poucos minutos estava sorridente e agora foi convencido que está mesmo triste.

Já pensou se ela usar isso para convencer os tristes a ficarem alegres? No momento não dá para conferir, porque na minha sala todo mundo é muito alegre. Antes eu achava que o Everton era triste, mas descobri que a tristeza dele é só quando tem alguma atividade e ele chora mesmo com lágrimas para convencer a professora que é muito infeliz deixando-a com muita pena dele. Quando a situação está controlada ele começa a se deleitar (essa palavra é muito usada na igreja “se deleitar no Senhor Jesus” e com todo respeito a Jesus e a Igreja, vou usar aqui) com os recortes de revistas de mulher pelada que trás de casa para vender na sala.  Nesse caso, o Everton poderia se dar bem como vendedor de produto pirateado, pela esperteza dele em conseguir manter escondido o material que trás e nenhum professor descobre (como meus professores não são meus leitores, não sou dedo duro). Claro que desejo coisa melhor para ele, como ator, cineasta (menos de filme pornô).

Já o Wanderson é um excelente desenhista e por ser muito bom no que faz levou uns “tabefes” do Diemisson, que é conhecido por Dadá, quando foi lançada uma propaganda da pepsi “dá, dá, dá”. Desenhou o Dadá com uma cabeça bem grande e um balão escrito “dá, dá, dá”.  Ficou um trabalho tão bom que o Dadá viu, se reconheceu e partiu pra cima. Mas o Dadá não é só violência. Quando não está tentando matar ou aleijar alguém é muito concentrado nos cálculos de matemática e demonstra muita facilidade em fazer contas. Por essa razão pode ser um Matemático. O que é mesmo que um matemático faz?

Já estava esquecendo de dizer que o Wanderson  é rodador de livro. Pega um livro e gira no dedo por muito tempo. Não sei pra que isso serve, mas é divertido assistir a proeza dele.

O Maurício pode ser dublê de cinema.  Ele empina bicicleta e virou herói quando cravou a marca do seu tênis na camiseta do cara mais perigoso da escola, salvando e dando proteção a todos os oprimidos e fracotes, que viviam aterrorizados com a possibilidade de ser alvejado pelo temido.

Bom, o Maurício pode ser também delegado, detetive, justiceiro, pistoleiro não.

Max Deiby. Com esse nome poderia ser dançarino de grupo de pagode, axé, mas com a voz que ele tem, daria para dublar a professora do Jimmy Nêutron. A voz é exatamente igual. No início do ano os professores falavam pra ele: “fala direito, menino”, achando que a voz era de brincadeira.

A Débora é alta e magricela e por esse motivo poderia ser modelo. No momento, o sonho dela é “pegar” um dos moleques do RDB, aquele grupinho mexicano. Abraça os recortes de revista e suspira alto na sala de aula.

Hulianne, Suzy, Karina, Flaviane e Juliane, poderiam ser líderes de torcida, se existisse isso aqui no Brasil. Elas dão aqueles gritinhos enfadonhos e cochicham, quando não estão lambuzando a boca do que elas chamam de gloss.

Como não existe essa “profissão” aqui no Brasil, elas podem ser jornalistas de programa de fofoca, que contam a vida dos artistas.   

O Thailson é o perseguidor das meninas do “gloss”. Tem hábitos muito estranhos, como passar a mão na região glútea das garotas e já quase foi expulso por esse ato contraventor.  Diz que vai ser diretor de cinema. Não quero dar palpite sobre que tipo de filme irá dirigir.

Yuri poderá ser um experimentador de comida (será que existe essa profissão?). Na hora do lanche, sai tirando pedaço do lanche de todos os distraídos. 

Charles pode ser cantor de brega (ritmo aqui do Pará) canta todos os hits da Banda calypso. Só falta pintar o topete de branco igual ao Ximbinha. Deus me livre!

Ana Paula além de dar uns gritos bem fininhos, é uma excelente desenhista e tem uma imaginação incrível.

Jaylane será mãe de família. Tem 14 anos e está grávida.  É verdade, ela está grávida mesmo por mais absurdo que possa parecer.

           Bom, todos da minha sala têm muita imaginação, mesmo os que não foram citados aqui.  Todos têm muito tempo para decidir o que serão de verdade na vida adulta, menos a Jaylane (a menina grávida) que não pode mudar o fato de ser mãe tão nova.

De acordo com o Einstein a imaginação é mais importante que o conhecimento. Será?

Acho que a combinação dos dois pode ser muito importante.

October 15, 2006

Produto final de um Professor após 25 anos de serviços prestados

Uma homenagem aos Professores pelo o seu dia. 
 
 
September 18, 2006

Em resposta a Paulo Brabo

    Nessa situação minha mãe diria que você é um cavalheiro. Eu prefiro dizer que você é um sujeito muito simpático e que gosta de incentivar os principiantes, especialmente os adolescentes, a ingressarem no mundo da escrita. http://www.baciadasalmas.com/2006/o-blog-do-biga
Até pouco tempo não tinha internet em casa. Moro em uma cidade pequena no sul do Pará (como citado nos posts) e só temos internet a rádio, o que dificulta o acesso pra muitos. Quando morávamos em São Paulo, tinha acesso irrestrito o que me deixou um pouco  chateado ao mudarmos pra cá.

Então, quando minha mãe  fez o contrato pra termos net aqui em casa, fiquei muito feliz, pois assim compensaria algumas defasagens no que se refere à pesquisa, especialmente sobre programação, área que me fascina e me rende alguns trocos como free lancer, claro além de outros benefícios que só quem está conectado à rede tem.

Bem, com internet em casa, tive a oportunidade de conhecer o Pró Tensão César Miranda, que mora em Brasília, de quem tive a honra de ganhar o livro WUNDER BLOGS.COM autografado.

Já conhecia pessoalmente César Miranda através de minha mãe que sua amiga desde a infância, mas como eu era muito pequeno o diálogo não passava de: “e aí Biga”, “e aí César”.

Depois de ler o Pró Tensão, virei amigo do César Miranda e o nosso diálogo evoluiu para longas conversas no msn.

Quando criei o Blog, claro que foi inspirado em César Miranda, mas não com a pretensão de ter o seu sucesso. A princípio queria “fazer graça” para minhas primas, que seriam (acreditava eu), leitoras, além do meu ídolo (no bom sentido) César Miranda, minha mãe e meu pai.

Pai e mãe lêem qualquer coisa que o filho escreve e dizem: “que maravilhoso! Está incrível!” e um vira pro outro e complementa dizendo: “Ele é demais!”. Descobri isso aos cinco anos na alfabetização, quando chegava da escola com aquelas garatujas escritas “man ti amu” (mãe te amo), que ela guarda até hoje e esfrega na minha cara de vez em quando, sempre acompanhada por um todo meloso “que fofo!”.

Mas, quando decidi ter o “meu blog”, mesmo que fosse pra tirar sarro das meninas da família, teria que ser bem escrito e com riqueza de detalhes. Escrevo sobre a minha vida diária, acontecimentos que tenho oportunidade de fazer parte de alguma forma. Eu só conto tudo escrevendo do jeito que acho que ficará melhor pra ser entendido e pra isso consulto a gramática e o dicionário.

Nunca pensei em ter outros leitores além dos citados acima e ter aceitação dos excedentes (leitores).  Escuto por aí que temos que trabalhar muito duro para ter resultado de alguma coisa.

Eu não trabalhei duro coisa nenhuma pra fazer esse blog e estou me sentindo um amador muito feliz com as visitas de pessoas tão simpáticas espalhadas pelo Brasil. Pessoas que me tratam como amigo e eu os trato como família.

Se bem que a Arca de Noé foi feita por um amador e o Titanic por profissionais.

Já li na Bíblia que há amigos mais queridos que irmãos. Admiro bonitas amizades como a de minha mãe e Darlene, por quem minha mãe foi ajudada a concluir seu trabalho quando estava com o braço quebrado; minha mãe e Léia, uma amizade da vida toda, minha mãe e César Miranda, uma amizade onde o tempo e a distância não existem… Não tenho irmãos, talvez por isso seja um pouco abusado, no bom sentido. Aqui em casa não tem moleza não. Deixa eu não lavar o quintal pra ver o que acontece. Não me atrevo a descobrir. Sou abusado no sentido de ter alguns privilégios, como assinatura de revistas, adquirir livros, um computador potente.

Bom. Amizade é o que desejo que esse blog me traga. E já está me trazendo.

Valeu Paulo Brabo!

September 17, 2006

NOTA DE ESCLARECIMENTO

    Em respeito aos meus três ou quatro leitores e quem sabe muitos no futuro, quero esclarecer que mudei de blog para maior rapidez de acesso ao conteúdo que nele postarei futuramente.

Desde já quero agradecer pelas visitas passadas e futuras.

            Thanks. emoticon

August 26, 2006

Não sou um E.T., ou sou?

Um grande amigo, blogueiro, me disse que tratava seu blog como um filho e isso me fez lembrar de quando nos mudamos para esta cidade (eu com meus pais é lógico).

Por se tratar de uma cidade pequena, as pessoas se conhecem pelo nome e temos muitos familiares por aqui, especialmente por parte da minha mãe, que embora não tenha nascido na cidade, viveu grande parte da sua vida, foi pra São Paulo, fez o que tinha que fazer por lá, e entre outras coisas, casou-se com meu pai, que é de São Paulo e nunca havia saído de lá, até vir morar aqui no Pará. Eu, embora nascido em São Paulo, como meu pai, já conhecia a cidade, pois em todas as férias de julho era trazido por minha mãe pra visitar a família, aproveitando pra fugir do inverno paulista e assim eu me recuperar da bronquite da qual era vitima. Segundo minha mãe, era comum o pediatra perguntar, lá pro mês de junho, se poderíamos viajar para o Pará em julho, pra eu respirar melhor e automaticamente dava para o médico uns dias de sossego; pelo menos ele teria um “goguento” a menos pra se preocupar e ser perturbado pela minha mãe, que telefonava desesperada nas madrugadas geladas de São Paulo, pra Ele dar um jeito na minha tosse.

Pois bem, chegou o dia em que não precisamos mais viajar mais para passar as férias no Pará, porque mudamos para o Pará, atitude que curou o meu problema respiratório. Hoje tenho resfriados como pessoas normais. Minha mãe, de tão agradecida a Deus pela minha saúde, resolveu socializar o meu inalador com os necessitados da cidade, que são os idosos fumantes e que de tanto se divertirem com um cigarrinho na juventude, hoje precisam da ajuda de uma inalação para conseguiram mais uns dias respirando aqui na terra. Não estou querendo rogar praga, mas estou achando que o próximo a ser beneficiado com o tal do inalador é o seu Gogó (de quem falo no post), pela quantidade de fumo que vi na mão dele no dia da praia. Se aquilo fosse maconha, seu Gogó ia ser considerado um traficante dos mais perigosos.

Quando mudamos pra cá, as pessoas me achavam muito diferente dos moleques da minha idade, inclusive eu. Eu, além de ser muito branco para o padrão das pessoas daqui, que são muito bronzeadas, não tinha as mesmas preferências no que se refere às brincadeiras. Por exemplo, não tinha ninguém pra jogar xadrez, conversar sobre programação (informática), DELPHI, C#, ASSEMPLER, ASSEMPLY, CLIPPER e coisas mais da área. Na única banca de jornal da cidade só encontrei revista de mulher pelada e revista de fofoca de tv. Fiquei arrasado e minha cuidou para que eu tivesse acesso a muitas das literaturas que eu encontrava facilmente numa banca de jornal de São Paulo e aqui só mesmo através de uma assinatura, para receber mensalmente, o que me causou muita ansiedade, esperando o dia da chegada, levando em consideração que pesaria no orçamento fazer a assinatura de todas as revistas que me interessavam e que eu tinha fácil acesso lá; minha mãe é professora e mesmo sendo professora universitária, não ganha tanto assim.

Mas consegui vencer meus primeiros meses na nova cidade, sem cinema e algumas modernidades da cidade grande. Fui conhecendo alguns caras, na faixa dos vinte anos e que por já serem adultos, tem muitas obrigações, como trabalhar pra se sustentar ou pelo menos ajudar no próprio sustento, o que fazia com que as conversas só pudessem acontecer nos finais de semana e quando estavam sem namorada. No começo fiquei um pouco revoltado com as namoradas dos caras; ô “minas” chatas. Depois pensei em arrumar uma namorada. Mas que garota de uns dezessete ou vinte anos ia querer namorar um sujeito de nove anos. Eu. Sem falar que o objetivo do namoro seria conversar sobre programação, informática. Só se fosse alguma “mina” com sérios problemas, inclusive mentais.

Até os parentes aceitarem o meu estilo de vida diferente dos garotos da minha idade, tive que ouvir coisas como:

- Pega um estilingue e vai pro mato pegar passarinho, rapaz.

(sempre aprendi que matar passarinho era crime ambiental que dá cadeia).

Outra:

- Vou te levar “pá” fazenda e te ensinar a amansar boi brabo.

(sobre bois, gosto muito da picanha retirada deles e bem passadas. Lembrei de uma churrascaria de São Paulo onde tem uma plaqueta nas mesas, escrito de um lado; “solta o boi” e do outro “prende o boi”, para que o garçon esteja sempre a seu serviço e nunca deixe nem sobrar, nem faltar carne no seu prato).

Chegou o momento em que tive que chamar meus pais, especificamente minha mãe pra discutir minha existência. Será que eu sentiria falta no futuro de apedrejar cachorros, matar passarinhos, levar choque de fio elétrico resgatando pipa, jogar pedra no telhado da casa dos outros, escrever coisa feia no muro da escola, fazer gestos obscenos, como mostrar a língua e o dedo do meio, caso fosse contrariado?

Foi então, que aos nove anos, com a ajuda dos meus pais, entendi que não era um ET. Era um ser humano menos primitivo que os seres humanos daqui. E é aí que entra o meu amigo César Miranda, que tive a honra e o prazer de conhecer, como se já O conhecesse há anos, do infelizmente finado Pro Tensão, que teve uma infância muito parecida com a minha e se tornou um adulto normal, bem humorado e feliz. Certamente que não tenho a pretensão de ser um blogueiro famoso como Ele e nem teria talento pra isso, eu acho. Seria impossível (pelo menos por enquanto) vocês me virem numa foto no Orkut lendo Muriac (o César é um intelectual, o maior). Eu só estou me divertindo e tendo a chance de conhecer talentos de verdade como o César, o Igor, o Alexandre Soares Silva, o Ruy Goiaba e outros. O que quero mesmo é ser um excelente programador e pelo caminho fazer bons amigos.

Bom, tenho só doze anos… E a certeza que tenho mesmo é quero fazer bons amigos pelo caminho e quem sabe daqui um tempo arrumar uma namorada normal e da minha faixa etária.

Fotolog do Biga
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