Zé, que se chama originalmente José, poderia ser uma cara normal como os muitos “José” ou “Zé” espalhados por aí, não fosse sua história de garoto que queria se dar bem na vida sem grande ou nenhum esforço.
Zé é um sujeito jovem, aparentemente saudável, sempre querendo se dar bem. Queria ser empresário do ramo hortifrutigranjeiro, e para isso resolveu roubar as galinhas da vizinhança. Uma das exigências para esse tipo de negócio é ficar no anonimato. Zé ficou tão conhecido que começaram a chamá-lo de Zé Galinha.
Mas Zé, agora batizado como Zé galinha, não se deu por vencido e continuou na vida de pequenos roubos. Pequeno para a polícia, porque pra quem foi roubado o roubo nunca é considerado pequeno e pude sentir isso na pele quando o pé de apoio da minha bicicleta foi “surrupiado” e a autoridade, a Diretora da escola disse “é só um pezinho de apoio”.
Mas, voltando ao Zé.
Zé Galinha já estava tão acostumado a se sustentar com a vida de ladroagem que ao sentir fome ia logo procurar algo que pudesse roubar com facilidade.
Certo dia, ele e um de seus amigos e companheiro de ofício, passando por uma casa sem muro, típica casa de cidade bem pequena, escutaram um chiado de panela de pressão e como a cozinha da casa era acessível, resolveu roubar a panela entrando pelo quintal. Enquanto ele corria com a panela, seu amigo ficou escondido imitando o som da panela de pressão. Quando o Zé estava numa boa distância, em segurança com a panela quente, o tal amigo correu também. A dona da panela percebeu que o chiado havia parado, resolveu investigar indo até a cozinha e viu que o almoço da família tinha sido seqüestrado e sem a menor chance de ser resgatado. Dias depois ficou sabendo que tinha sido coisa do Zé.
Mas entre um roubo e outro, Zé galinha conheceu uma garota por quem se apaixonou perdidamente e foi correspondido. Depois de um período de namoro resolveram casar.
Zé Galinha havia convencido a todos, especialmente a família da noiva que havia mudado de vida. Voltara a ser apenas o Zé. Estava trabalhando no ofício de confeccionar redes de pescar e sobrevivia vendendo seus honestos produtos.
Certo dia Zé resolveu fazer “uma social” com a família de sua futura esposa e convidou a todos para uma pescaria. O convite foi aceito e partiram para o Rio Araguaia curtir uma noitada agradável em busca de peixes. Claro que as redes de pescar foram fornecidas pelo Zé, como cortesia à sua futura família.
A noite chegou, redes já armadas e depois de uma animada conversa familiar, como já era tarde resolveram tirar uma soneca e enquanto todos dormiam, achando que quando acordassem encontrariam as redes cheias de peixes, Zé se antecipou e recolheu todas as redes com os peixes e fugiu. Escondeu tudo; redes e peixes e voltou como se nada tivesse acontecido. Foi então que aconteceu a recaída do Zé.
Quando todos acordaram, inclusive o Zé, foram ansiosos recolher as redes e a surpresa foi geral. Haviam sido assaltados enquanto dormiam. Ficaram muito chateados pensando que teriam que pagar as redes do Zé, afinal… caramba, ele tinha sido tão gentil em convidar para a pescaria e oferecer as redes dele para o uso…
Dias depois descobriram toda a farsa do Zé. Zé foi desmascarado e perdeu a futura família. A noiva terminou o noivado o pai da noiva ficou muito zangado e os ex-futuros cunhados queriam dar uma surra no Zé.
Com a recaída para o roubo, Zé resolveu fazer uma graninha rápida roubando uma vaca de um tio fazendeiro. Tava dando tudo certo. ,oi desmascarado e lus amigos, dormir para fazer dinheiro e conseguir voltar para a cidade.iam dar uma surra no Zgalinhas da v Roubou a vaca e a gaiola de carregar a vaca. Mas não contava que seu tio ia cruzar na estrada com ele. E foi o que aconteceu. Zé abandonou a vaca na estrada mesmo e fugiu. Seu tio chamou a polícia e começou a caçada ao Zé.
Zé teve que dar um tempo em uma roça de amigos, para não ser preso. Por incrível que pareça, Zé tinha amigos.
Quando estava completando um mês que o Zé estava na roça, trabalhando na lavoura pelo seu prato de comida, decidiu que não suportava mais aquela vida tranqüila. Zé chorava todo dia de saudades da cidade. Não agüentava mais não ver uma televisão, apenas ouvia o rádio de pilha e apenas dessa forma ficava sabendo das novidades da cidade. Coisas como “O forró de ontem na praia foi um sucesso” ou “A festa do Peão de Boiadeiro será a melhor de todos os tempos”. Zé não suportou e disse para o seu anfitrião:
- Rapaz, cadeia ficou foi pra homem. Eu vou-me embora. Posso morrer na cadeia, mas nesse meio de mato não fico mais.
Zé vendeu sua rede de dormir para um peão da roça para ter dinheiro e conseguir voltar para a cidade.
Zé diz que é vítima da sociedade, porque segundo ele esse negócio de estudar e trabalhar é muito cruel com o ser humano. Disse que até tentou um serviço em um escritório aqui na cidade, mas o entrevistador não o aprovou na entrevista só porque ele falou a cruel palavra “pobrema”. Só por isso! Zé não entendeu que ele tinha dois; um era o “pobrema” do desemprego e o outro era o de falar “pobrema”.
Zé diz que tem uma vantagem. Não é “fichado” na polícia. A polícia não o encontrou em decorrência do roubo da vaca e o deixou pra lá. Segundo ele isso é proteção por ter o nome do pai de Jesus.
Falando em Jesus, Zé tem muito medo de arder no fogo do inferno, por isso foi se aconselhar com um Pastor que lhe disse “Meu filho, você é um miserável e infeliz pecador. Saiba que mesmo você sendo esse desgraçado, safado ladrão, Jesus te ama”.
Zé, apesar de um pouco ofendido, com os adjetivos que o Homem de Deus (o Pastor) tinha lhe dado, respeitou e aceitou ser um evangélico.
Agora Zé é um crente. Fala como um crente e acho que pela culpa que carrega ainda pelos seus delitos, se veste como um crente dos velhos tempos. Digo crente dos velhos tempos, porque os crentes de hoje querem se vestir igual aos componentes da Banda gospel Oficina G3. Mas essa é outra história.
Bom, para finalizar quero dizer que essa é uma história real. Não posso dizer como fiquei sabendo de tudo isso, vai que o Zé não está bem convertido… Eu heim!