Ao meu amigo Dogão
| Dogão de Shorts | Momento de descanso |
Tenho andado muito ocupado ultimamente, mas refletindo sobre os acontecimentos dos meses passados, não posso deixar de documentá-los nesse blog meio abandonado.
Nem sei direito por onde começar.
Bom, fiz 13 anos, ganhei um cachorro e é aí que se vê na prática a velha máxima da vovó Anália que diz sempre “tem coisa que vem do mato pra casa”. Eu estava levando a minha vidinha tranqüila, escola, poucos amigos, alguns artigos para minha coluna na Oficina da Net, música, passeios de bike… Mas não satisfeito com isso cedi ao desejo íntimo de ter um cachorro.
Chris, minha prima, me presenteou, logo que sua cadela Dolly deu a luz. Quando meus olhos viram aquele bebê cão tão pequenino e bonitinho, não resisti e foi aí que meu instinto de filho único, que dos quatro aos sete anos de idade guardava todos os brinquedos quebrados e mamadeiras do bico rasgado esperando a chegada de um irmão, foi despertado.
Agora era só esperar o pequeno ser desmamado para que eu pudesse levá-lo pra casa, situação que foi antecipada pelo triste fato da cadela mãe morrer subitamente dezessete dias após o nascimento dos cachorrinhos deixando os pobrezinhos sem leite, problema que resolvemos com a compra de leite ninho e uma minúscula mamadeira.
As primeiras noites do canino em casa não foram muito confortáveis, minha mãe teve que encher a barriga dele de leite no meio da noite para que ele parasse de chorar. Ela ficou com muita pena, afinal o coitado estava órfão.
Bom, Dogão está com três meses de vida. Pesa atualmente 4,300kg. A mamadeira é coisa do passado e come ração numa velocidade incrível. Mas ele é muito veloz também em comer papel higiênico, revistas, plantas, sapatos, enfim, caiu na rede é peixe. Dogão não é preconceituoso muito menos seletivo com o que deve comer ou morder por pura diversão.
Está tão íntimo na casa que minha mãe diz que qualquer dia ele vai trocar a fechadura e ficar de dono da residência.
Quanto a mim, para mantê-lo na família tenho que deixá-lo longe de encrencas e isso inclui recolher os detritos expelidos pelo seu intestino e bexiga e também impedir que ele seque os pés da minha mãe com a língua quando ela sai do banho. Ela já disse pra ele que prefere secar os próprios pés com a toalha mesmo.
Já consegui ensinar algumas coisas para o Dogão, como jogar um brinquedo e fazer com que ele traga de volta. É ótimo ver as orelhas dele balançando ao vento quando andamos de bicicleta ou quando apostamos corrida dentro de casa mesmo.
Um dia desses peguei Dogão dentro do guarda roupa de minha mãe mordendo um pedaço de um vestido dela, confesso que gelei. Mas cheguei a tempo de evitar uma tragédia.
Outro dia, encontrei-o com um sabonete na boca. Consegui tirar parte, mas ele comeu tão rapidinho… Essa travessura lhe rendeu uma diarréia e uma visita à Dra Sara veterinária da cidade. Mas devo confessar que o hálito dele ficou muito perfumado
Para concluir, só me resta homenagear o meu querido cão Dogão com um poema do Vinícius de Moraes, que peguei de uma apresentação em slides que minha mãe tem, devidamente adaptado por mim.
Cachorros, cachorros!
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Quanto silêncio
Como o queremos!
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu sabão.
Cachorro, cachorro?
Melhor não tê-los
Cachorro é o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus pêlos
Chupam meia de chulé
Bebem xampu
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que um cachorro é!
Obs. Dogão é um Cocker.


