MINHA AVÓ ANÁLIA É O MÁXIMO
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Vovó Anália com vinte e poucos anos de idade.
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Assistir televisão ao lado da vovó é sempre uma diversão à parte. Isso porque quando ela não entorta a cabeça no encosto do sofá e dorme, dando uma leve soprada pelo canto esquerdo da boca, fica fazendo comentários sobre o que está assistindo, tirando a “concentração” e a emoção da atração televisiva. No caso de novelas, nas cenas de romance ela diz logo “Olha que sem vergonha! Se cheirando com esse aí”, virando-se para quem estiver ao seu lado perguntando: “ela é casada? Quanto será que tá ganhando pra ser sem vergonha na televisão?”
Só pára de “sacanear” a atriz quando alguém diz que “é só uma novela!”.
Um dia estávamos assistindo um filme de grande apelo emocional, onde um cara já da idade avançada ia morrer e estava abraçando seu filho, reconciliando-se depois de anos de desentendimento, vovó não perdoou a cena e soltou logo: “O que esses dois machos tão fazendo se abraçando desse jeito?”. Não tinha outra coisa a fazer a não ser sorrir.
Mas aos poucos entendi que a vovó se comporta dessa forma porque só entende aquela parte do programa do Gugu onde ele fala “olhaaaa!!!”.
E quem precisa de televisão para se divertir? Minha avó nasceu e cresceu em um tempo que as pessoas não viam a vida passar diante de uma tela de tv. E a prova disso é o número de histórias que ela conta de sua juventude. Dá para perceber sua saudade dos bailes que participava, cheios de glamour. Era uma moça muito bonita de corpo perfeito (sem lipoaspiração e sem silicone) e requintada dos anos 50. Vejo suas fotos e é como se estivesse assistindo a um daqueles filmes antiguíssimos em preto e branco.
Ela conta que uma moça não sentava de pernas abertas, não falava alto e não falava nome feio. Conheço algumas gatinhas que precisavam aprender algumas coisas com a vovó, especialmente a não sentar-se com as pernas abertas, não que eu me incomode, mas elas sentam bem à vontade e acham ruim quando a gente olha.
Vovó, na sua experiência de vida, tem frases inteligentes e engraçadas e as duas coisas ao mesmo tempo, como essa que disse a uma garota muito jovem que não queria compromisso algum com trabalho e estudo e resolveu casar: “Minha filha, quem não presta pra nada, presta pra casar”. Ou ainda, quando vê alguém esbanjando dinheiro: “Coisa boa é dinheiro!”, completando e dando conselho a quem não gosta de economizar: “Guarda com os dentes para comer com as gengivas”. Quer dizer que tem que guardar enquanto jovem para quando ficar velho ter como sobreviver com dignidade.
E aí tem alguém que discorda que minha avó Anália é extremamente sábia?


