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| Eu e a Beth no laboratório de ciências biológicas - Feira Vocacional da UEPA / 2006 |
Já contei que minha mãe é professora. Por causa disso participo muito, desde pequeno da vida profissional dela em todos os sentidos. Como tenho muita habilidade em informática, procuro ajudá-la a preparar slides e tudo mais para que ela possa ministrar suas aulas, como ela mesma diz, de forma mais atraente e significativa.
Dias atrás aconteceu a feira vocacional da UEPA (Universidade do Estado do Pará), onde minha mãe trabalha e eu fui como convidado dela, que sempre demonstrou muito prazer em que eu a acompanhe nos eventos em que participa isso inclui alguns almoços e jantares deliciosos, já que sou o segundo na hierarquia dos dois homens (o primeiro é meu pai) da família e o primeiro tem outros compromissos.
Mas, a feira vocacional tem como objetivo levar estudantes para conhecer as dependências da Universidade e os cursos que ela oferece, ajudando os futuros alunos escolherem a futura profissão.
Esse evento me fez analisar os talentos de alguns dos meus colegas de aula e conclui que:
A Kauany poderia ser Psicóloga, especializada em hipnose ou advogada, pelo seu poder de convencer. Ela chega perto de alguém da sala e diz: “Por que você está triste?”. E continua conversando com o pobre coitado, insistindo na sua tristeza; sujeito esse que há poucos minutos estava sorridente e agora foi convencido que está mesmo triste.
Já pensou se ela usar isso para convencer os tristes a ficarem alegres? No momento não dá para conferir, porque na minha sala todo mundo é muito alegre. Antes eu achava que o Everton era triste, mas descobri que a tristeza dele é só quando tem alguma atividade e ele chora mesmo com lágrimas para convencer a professora que é muito infeliz deixando-a com muita pena dele. Quando a situação está controlada ele começa a se deleitar (essa palavra é muito usada na igreja “se deleitar no Senhor Jesus” e com todo respeito a Jesus e a Igreja, vou usar aqui) com os recortes de revistas de mulher pelada que trás de casa para vender na sala. Nesse caso, o Everton poderia se dar bem como vendedor de produto pirateado, pela esperteza dele em conseguir manter escondido o material que trás e nenhum professor descobre (como meus professores não são meus leitores, não sou dedo duro). Claro que desejo coisa melhor para ele, como ator, cineasta (menos de filme pornô).
Já o Wanderson é um excelente desenhista e por ser muito bom no que faz levou uns “tabefes” do Diemisson, que é conhecido por Dadá, quando foi lançada uma propaganda da pepsi “dá, dá, dá”. Desenhou o Dadá com uma cabeça bem grande e um balão escrito “dá, dá, dá”. Ficou um trabalho tão bom que o Dadá viu, se reconheceu e partiu pra cima. Mas o Dadá não é só violência. Quando não está tentando matar ou aleijar alguém é muito concentrado nos cálculos de matemática e demonstra muita facilidade em fazer contas. Por essa razão pode ser um Matemático. O que é mesmo que um matemático faz?
Já estava esquecendo de dizer que o Wanderson é rodador de livro. Pega um livro e gira no dedo por muito tempo. Não sei pra que isso serve, mas é divertido assistir a proeza dele.
O Maurício pode ser dublê de cinema. Ele empina bicicleta e virou herói quando cravou a marca do seu tênis na camiseta do cara mais perigoso da escola, salvando e dando proteção a todos os oprimidos e fracotes, que viviam aterrorizados com a possibilidade de ser alvejado pelo temido.
Bom, o Maurício pode ser também delegado, detetive, justiceiro, pistoleiro não.
Max Deiby. Com esse nome poderia ser dançarino de grupo de pagode, axé, mas com a voz que ele tem, daria para dublar a professora do Jimmy Nêutron. A voz é exatamente igual. No início do ano os professores falavam pra ele: “fala direito, menino”, achando que a voz era de brincadeira.
A Débora é alta e magricela e por esse motivo poderia ser modelo. No momento, o sonho dela é “pegar” um dos moleques do RDB, aquele grupinho mexicano. Abraça os recortes de revista e suspira alto na sala de aula.
Hulianne, Suzy, Karina, Flaviane e Juliane, poderiam ser líderes de torcida, se existisse isso aqui no Brasil. Elas dão aqueles gritinhos enfadonhos e cochicham, quando não estão lambuzando a boca do que elas chamam de gloss.
Como não existe essa “profissão” aqui no Brasil, elas podem ser jornalistas de programa de fofoca, que contam a vida dos artistas.
O Thailson é o perseguidor das meninas do “gloss”. Tem hábitos muito estranhos, como passar a mão na região glútea das garotas e já quase foi expulso por esse ato contraventor. Diz que vai ser diretor de cinema. Não quero dar palpite sobre que tipo de filme irá dirigir.
Yuri poderá ser um experimentador de comida (será que existe essa profissão?). Na hora do lanche, sai tirando pedaço do lanche de todos os distraídos.
Charles pode ser cantor de brega (ritmo aqui do Pará) canta todos os hits da Banda calypso. Só falta pintar o topete de branco igual ao Ximbinha. Deus me livre!
Ana Paula além de dar uns gritos bem fininhos, é uma excelente desenhista e tem uma imaginação incrível.
Jaylane será mãe de família. Tem 14 anos e está grávida. É verdade, ela está grávida mesmo por mais absurdo que possa parecer.
Bom, todos da minha sala têm muita imaginação, mesmo os que não foram citados aqui. Todos têm muito tempo para decidir o que serão de verdade na vida adulta, menos a Jaylane (a menina grávida) que não pode mudar o fato de ser mãe tão nova.
De acordo com o Einstein a imaginação é mais importante que o conhecimento. Será?
Acho que a combinação dos dois pode ser muito importante.



