August 30, 2006

JOGOS INDÍGENAS – PARTE II – EPÍLOGO

No último dia dos jogos indígenas, foi organizado um momento especial, para o encerramento, quando a comissão organizadora pôde fazer todo o “balanço” dos dias do badalado evento, regado a rasgação de seda e puxação de saco. É claro, que o prefeito, como principal autoridade da cidade estava lá no centro de tudo, pra ser vaiado de novo. Digo de novo, porque os seis dias desse evento foram marcados pelas competições entre as tribos, paqueras, shows de músicas bregas do Pará e as vaias que o prefeito ganhou de presente que poderia dizer sem dúvida, um sucesso absoluto. Um evento a parte, porque todo mundo se mobilizava para estar sentadinho na arquibancada e dessa forma não correr o risco de perder o momento em que o governante municipal era chamado ao palco e então, juntarem-se em coro para a vaiada geral.
Por ser o último dia, era também a última das raras oportunidades em que grande parte dos cidadãos da cidade estavam juntos para expressar seus sentimentos de insatisfação através da vaia. Era comum ouvir as pessoas combinando entre si: “-Tá quase na hora, vamos lá dar uma força”.
E assim, todas as vezes que o cacique da cidade – o prefeito- era convocado ao palco principal, a vaia começava e ia tomando proporções que realmente acabava sendo o momento mais emocionante e divertido do evento.
Percebi que as pessoas se sentiam felizes depois desse desabafo. Nos gritos de “uuuuuuuuu” estavam sendo colocados pra fora toda a vontade reprimida pelos populares de esganar o prefeito. Só podia ser isso. Óbvio que era isso.
Meu Deus (pausa para um momento de reflexão), ainda bem que minha tia não ganhou a eleição para prefeita, porque eu ficaria numa situação muito complicada. Num momento histórico, onde as pessoas da cidade reunidas quase em peso; estudantes, professores, ricos, pobres e até índios. Eu ia ficar constrangido entre dar uma força pra democracia através da vaia, porque vaiaria minha própria tia. E minha situação familiar, como ficaria? Criaria um incidente na família considerado gravíssimo, seria uma traição.
Independente de qualquer coisa, de qualquer prefeito, seja o político que for ele tem que ser vaiado pelos cidadãos de bem. Cidadão que é cidadão de verdade tem que exercer o seu direito de vaiador. E foi o que eu fiz naquele momento me juntando aos demais cidadãos e sem dor na consciência (minha tia não ganhou mesmo - pausa para risos).
Mas no último dia, a vaia foi especial, além de ser o último dia do evento, o cacique que estava representando todas as tribos deu um generoso reforço quando disse (no final, na hora da troca de presentes), para o prefeito que Ele (prefeito), era dono do povo mais animado do Brasil e que tinha a obrigação de ser muito feliz por isso. Aí foi, definitivamente, sem dúvida o momento mais… mais… mais estonteante, marcante dos seis dias debaixo de um sol de 50º, pra ver aqueles índios espetando as coisas com suas flechas. As arquibancadas tremeram com as risadas do público, sedento de água (por causa do calor) e de uma boa piada. Eu também estava rindo e muito, mas minha atenção de repente foi roubada quando vi um homem com o corpo tremendo que parecia estar tendo um ataque epilético de tanto rir. Ria, ria e ria. Comecei a ficar preocupado porque ouvi falar que rir demais mata. Chorar demais não mata só deixa o cara, além de muito chateado pelo motivo que o levou a chorar (aliviado também), com os olhos vermelhos e com aquela cara de quem chorou. Se for minha priminha Anna Carolina, além dessas características citadas terá um soluço muito triste de partir o coração (mas acho que é porque ainda tem um ano de idade, depois ficará só com as primeiras características). Mas rir, dizem que mata. Meio contraditório, porque sempre vejo escrito por aí que rir é o melhor remédio, se bem que remédio também mata se for demais.
Mas, o homem estava totalmente sem controle e como ser humano cristão evangélico que sou, pensei que ele fosse realmente morrer. Se bem que se morresse acho que seria de felicidade (ia morrer rindo - um privilégio). E aí eu presenciaria alguém morrer de rir, literalmente. Não pensem que isso me deixaria feliz. Deus me livre. Só ia ver, por estar no lugar certo, na hora certa ou errada, sei lá. O importante, graças a Deus é que ele parou, sentou, ficou triste e danou a xingar o prefeito de “disgraçado, fiu de uma égua, infiliz”; dizendo isso e chorando. Quando vi o anônimo chorar, fiquei contente, porque assim ele dava uma desintoxicada do tanto que riu e se livrava da morte de tanto rir.
Bom, nunca saberei daquela “mistureba” de sentimentos (acho que com um pouco de cachaça) do pobre homem. Só posso imaginar que é mais um eleitor descontente. E eleitor descontente é o que não falta nessa cidade.

August 26, 2006

Não sou um E.T., ou sou?

Um grande amigo, blogueiro, me disse que tratava seu blog como um filho e isso me fez lembrar de quando nos mudamos para esta cidade (eu com meus pais é lógico).

Por se tratar de uma cidade pequena, as pessoas se conhecem pelo nome e temos muitos familiares por aqui, especialmente por parte da minha mãe, que embora não tenha nascido na cidade, viveu grande parte da sua vida, foi pra São Paulo, fez o que tinha que fazer por lá, e entre outras coisas, casou-se com meu pai, que é de São Paulo e nunca havia saído de lá, até vir morar aqui no Pará. Eu, embora nascido em São Paulo, como meu pai, já conhecia a cidade, pois em todas as férias de julho era trazido por minha mãe pra visitar a família, aproveitando pra fugir do inverno paulista e assim eu me recuperar da bronquite da qual era vitima. Segundo minha mãe, era comum o pediatra perguntar, lá pro mês de junho, se poderíamos viajar para o Pará em julho, pra eu respirar melhor e automaticamente dava para o médico uns dias de sossego; pelo menos ele teria um “goguento” a menos pra se preocupar e ser perturbado pela minha mãe, que telefonava desesperada nas madrugadas geladas de São Paulo, pra Ele dar um jeito na minha tosse.

Pois bem, chegou o dia em que não precisamos mais viajar mais para passar as férias no Pará, porque mudamos para o Pará, atitude que curou o meu problema respiratório. Hoje tenho resfriados como pessoas normais. Minha mãe, de tão agradecida a Deus pela minha saúde, resolveu socializar o meu inalador com os necessitados da cidade, que são os idosos fumantes e que de tanto se divertirem com um cigarrinho na juventude, hoje precisam da ajuda de uma inalação para conseguiram mais uns dias respirando aqui na terra. Não estou querendo rogar praga, mas estou achando que o próximo a ser beneficiado com o tal do inalador é o seu Gogó (de quem falo no post), pela quantidade de fumo que vi na mão dele no dia da praia. Se aquilo fosse maconha, seu Gogó ia ser considerado um traficante dos mais perigosos.

Quando mudamos pra cá, as pessoas me achavam muito diferente dos moleques da minha idade, inclusive eu. Eu, além de ser muito branco para o padrão das pessoas daqui, que são muito bronzeadas, não tinha as mesmas preferências no que se refere às brincadeiras. Por exemplo, não tinha ninguém pra jogar xadrez, conversar sobre programação (informática), DELPHI, C#, ASSEMPLER, ASSEMPLY, CLIPPER e coisas mais da área. Na única banca de jornal da cidade só encontrei revista de mulher pelada e revista de fofoca de tv. Fiquei arrasado e minha cuidou para que eu tivesse acesso a muitas das literaturas que eu encontrava facilmente numa banca de jornal de São Paulo e aqui só mesmo através de uma assinatura, para receber mensalmente, o que me causou muita ansiedade, esperando o dia da chegada, levando em consideração que pesaria no orçamento fazer a assinatura de todas as revistas que me interessavam e que eu tinha fácil acesso lá; minha mãe é professora e mesmo sendo professora universitária, não ganha tanto assim.

Mas consegui vencer meus primeiros meses na nova cidade, sem cinema e algumas modernidades da cidade grande. Fui conhecendo alguns caras, na faixa dos vinte anos e que por já serem adultos, tem muitas obrigações, como trabalhar pra se sustentar ou pelo menos ajudar no próprio sustento, o que fazia com que as conversas só pudessem acontecer nos finais de semana e quando estavam sem namorada. No começo fiquei um pouco revoltado com as namoradas dos caras; ô “minas” chatas. Depois pensei em arrumar uma namorada. Mas que garota de uns dezessete ou vinte anos ia querer namorar um sujeito de nove anos. Eu. Sem falar que o objetivo do namoro seria conversar sobre programação, informática. Só se fosse alguma “mina” com sérios problemas, inclusive mentais.

Até os parentes aceitarem o meu estilo de vida diferente dos garotos da minha idade, tive que ouvir coisas como:

- Pega um estilingue e vai pro mato pegar passarinho, rapaz.

(sempre aprendi que matar passarinho era crime ambiental que dá cadeia).

Outra:

- Vou te levar “pá” fazenda e te ensinar a amansar boi brabo.

(sobre bois, gosto muito da picanha retirada deles e bem passadas. Lembrei de uma churrascaria de São Paulo onde tem uma plaqueta nas mesas, escrito de um lado; “solta o boi” e do outro “prende o boi”, para que o garçon esteja sempre a seu serviço e nunca deixe nem sobrar, nem faltar carne no seu prato).

Chegou o momento em que tive que chamar meus pais, especificamente minha mãe pra discutir minha existência. Será que eu sentiria falta no futuro de apedrejar cachorros, matar passarinhos, levar choque de fio elétrico resgatando pipa, jogar pedra no telhado da casa dos outros, escrever coisa feia no muro da escola, fazer gestos obscenos, como mostrar a língua e o dedo do meio, caso fosse contrariado?

Foi então, que aos nove anos, com a ajuda dos meus pais, entendi que não era um ET. Era um ser humano menos primitivo que os seres humanos daqui. E é aí que entra o meu amigo César Miranda, que tive a honra e o prazer de conhecer, como se já O conhecesse há anos, do infelizmente finado Pro Tensão, que teve uma infância muito parecida com a minha e se tornou um adulto normal, bem humorado e feliz. Certamente que não tenho a pretensão de ser um blogueiro famoso como Ele e nem teria talento pra isso, eu acho. Seria impossível (pelo menos por enquanto) vocês me virem numa foto no Orkut lendo Muriac (o César é um intelectual, o maior). Eu só estou me divertindo e tendo a chance de conhecer talentos de verdade como o César, o Igor, o Alexandre Soares Silva, o Ruy Goiaba e outros. O que quero mesmo é ser um excelente programador e pelo caminho fazer bons amigos.

Bom, tenho só doze anos… E a certeza que tenho mesmo é quero fazer bons amigos pelo caminho e quem sabe daqui um tempo arrumar uma namorada normal e da minha faixa etária.

August 21, 2006

JOGOS INDÍGENAS EM CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA- PARÁ

 
 
PARTE 1

A semana passada foi toda de preparativos, por parte dos organizadores, para a minha cidade, Conceição do Araguaia, sul do Pará, ser a sede dos jogos indígenas. O 3º jogos indígenas. Meu Deus, eu nem sabia que índio jogava. Meu Deus, eu nem sabia que ainda existia índio, além dos livros e imagens antigas da tv. Meu Deus estou emocionado, vou ver índio. Índio, índio mesmo, aqueles caras que os livros dizem ter sido os primeiros habitantes do Brasil. Que, quando os caras que descobriram o Brasil chegaram aqui encontraram eles (índios) curtindo água de coco e tudo mais e aí Pedro Álvares Cabral e sua turma sacanearam os coitados dando uns presentinhos bem do estilo 1,99 pra comprar a confiança e a amizade deles e botar os coitados pra trabalharem de graça e depois roubarem as terras deles. Sinto-me obrigado a dizer que essa relação entre eles era chamada de escambo (viva a professora Clara, de história, aprendi isso com ela).
Como será um índio???? Pele vermelha, as senhoras com seios avantajados e bem caídos, dependurados com um indiozinho mamando o tempo todo????? Será que é assim?
Ansioso, pergunto pra minha mãe que responde:
- Sei lá.
Como, sei lá? Esqueceu que mãe tem que ter todas as respostas? Mãe, antes de ter um filho tinha que comprar uma Barsa (encicoplédia) onde tivesse todas as respostas, pra nós filhos sermos poupados desse tal de “sei lá”.
Deixa pra lá. Preciso dar asas a minha imaginação, pelo menos até chegar o momento de ver tudo.
Chegou!!! Chegou o dia tão esperado. O estoque de fogos está sendo “explodido” na Praia das Gaivotas (conhecida como praia da Babi- veja meu antigo post). Tudo foi preparado. Arena para as competições, arquibancadas, banheiros, etc. (esse etc é sempre necessário para economizar palavras).
Está na hora. Estou ansioso, ansioso nããão, ansiosíssimo… Desesperado para ver um índio. Preciso ficar calmo, seguindo o conselho da minha mãe, que diz:
- Calma! (enquanto tira fotos de tudo e de todos. Ela é fotógrafa por prazer)
Estou na arquibancada. Vai começar! Vai começar! Cadê os índios?
O locutor está com a voz trêmula e tentando animar as pessoas da arquibancada, dizendo:
- Vamos pessoal, vamos aplaudir, vamos, força nas palmas…
Então, vi o desenho de um peixe bem “grandão” e o desafio dos índios era dar uma flechada no olho do peixe desenhado.
O Terú foi o primeiro. Terú, tremia as pernas mais que o perna longa (o desenho animado) e de tão nervoso, errou. Depois que quase me mijei de rir, caí na real e fiquei com dó do Teru. Claro que isso aconteceu depois que minha mãe e a Glória (nossa amiga), colocaram as duas mãos na cabeça e fechando os olhos gritaram: “Tadinho!”.
O locutor, disse logo:
- Ele errou por falta de aplauso, pessoal. Ele é muito bom nisso! Ele é o melhor, quer dizer, todos são os melhores! (acho que ele ficou com medo de levar uma flechada dos outros e por isso resolveu dizer que todos eram muito bons).
Mas, chegou o momento que achei o mais incrível, fantástico. Meu Deus! É a versão indígena da Xena, a princesa guerreira!!!!! Uma visão emocionante para meus olhos de 12 anos. Estou encantado com a beleza selvagem! Fiquei tão, tão, tão sei lá o que (não acho palavras para expressar minha emoção, se encontrar alguma até o final, escrevo, nem que seja lá no rodapé*).
A princesa guerreira indígena acertou as três tentativas de flechar o olho do peixe. Levou o público a loucura. Parecia um jogo de copa do mundo (não aquele Brasil e França, pensem em um de Brasil e Argentina e o Brasil ganhando de goleada é claro).
Bom, flecha vai, flecha vem, resolvemos dar uma volta pelo lado de fora da arena, porque eu ainda necessitava ver um índio de perto, bem de pertinho.
Depois de tanto andarmos pela praia chegamos ao acampamento dos índios; as cabanas feitas de palhas. Jesus Cristo, aqui tem índio mesmo! Homens, mulheres, crianças… E eram índios mesmo! Todos com seus trajes de índio.
Minha mãe disse logo:
- Oi, tudo bem? Posso tirar algumas fotos de vocês?
Gentilmente, foi atendida e os simpáticos nativos posaram para as fotos. Agradecemos e fomos visitar outras “tocas”.
Foi então que encontramos um índio que provavelmente não estava num bom dia. Estava sentado, meio triste, cara de bravo, com uma mulher do lado (uma índia a quem minha avó Anália chamaria de “feia sem defeito”). Quando o tal índio viu a máquina fotográfica da minha mãe disse:
- Foto só pagando. 5 real. Foto rouba saúde da gente!
Aí, minha disse.
- E os cinco reais são pra devolver a saúde?
E Ela, pra desabafar ainda ficou falando umas coisas em inglês do tipo: “I don’t understand, sorry” só faltou dizer para o índio, “vai te lascar, nativo infeliz” em inglês é claro. Ela não seria tão corajosa pra dizer isso no bom e velho português, muito menos no tupi guarani e não é só porque é muito educada.
A partir daí, fiquei preocupado com medo daquele índio dar uma flechada na minha mãe, por causa da resposta não muito simpática que Ela deu pra ele. Ficou muito claro que ele não gostou dela.
E, para fechar o dia glorioso e cheio de novidades, tive a mais maravilhosa de todas as visões, DANIELA. Embora o nome seja brasileiro comum, trata-se de uma índia de 14 anos linda, de olhos negros e inocentes como o seu sorriso. Tive que disfarçar meu evidente encantamento. Despedi-me de Daniela, mas levei comigo uma foto…

* Não encontrei uma palavra adequada.

August 19, 2006

Frase sem graça

Uma mulher sem graça enviou um scrap sem graça para um cara muito engraçado, que ficou sem graça com o scrap sem graça que a mulher sem graça lhe enviou.

August 14, 2006

Redação de português

(texto feito por exigência da professora de português,
como continuação de um conto de fadas, cinderela).

- O príncipe?
- Ele mesmo. E gritando para eu segurar a esfarrapada. “Segura! Segura!” Me preparo para segurá-la quando ouço uma espécie de “vum” acompanhado de um clarão. Me viro e vejo algo voando baixo no céu. É um pássaro? É um avião? Não, é uma nave espacial que acaba de aterrissar no jardim do palácio.
Desce de dentro dela um homem com um saquinho plástico cheio de feijões germinados. Olho para ele e digo:
- Quem é você?
Ele respondeu:
- Eu sou Marcos Pontes, astronauta brasileiro.
Eu lhe disse assustado:
- Você também está querendo pegar a garota que saiu correndo do baile e perdeu o sapato?
Então, o homem falou:
- O que é isso, Mané? Estou retornando de uma missão no espaço. Não está vendo meu saquinho de feijão todo germinado? O Brasil gastou 10 milhões de dólares para pagar minha passagem e assim eu poder viajar na nave junto com os russos. Agora estou de volta para mostrar que a minha experiência com os feijões deu certo. Os feijões germinaram sem a interferência da gravidade e da luz solar, não é fantástico?
Assustado, olhei para aquele homem que não parava de sorrir:
- Então você deveria aterrissar no País Brasil?
O homem disse:
- Sim. Onde está o presidente, e o povo todo para me receber?
Eu tive que lhe contar de uma vez:
- Lamento. Você não está no Brasil. Eu sou o porteiro desse palácio que você aterrissou no jardim…
Foi então que o homem astronauta desesperado gritou:
- Nããããoooooo!!! Os feijões vão se perder!

- Helmut ( disse a esposa do porteiro), esse trabalho no palácio anda deixando sua imaginação muito fértil.

August 13, 2006

Meu Pai


 
… Só sei que quando nasci, algumas horas antes, meu pai tirou o bigode para me beijar e não me machucar. Essa foi uma das inúmeras declarações de amor do meu pai comigo. Tenho convicção do amor dele por mim e sou abençoado por isto. Meu pai é um pai “maluko”, vou explicar. “Maluko” com K, significa, legal, maravilhoso, enfim, coisas boas. Então posso dizer que meu pai é muito “maluko”. Meu pai é um cozinheiro excelente, o que proporciona sempre cardápios de boa qualidade para a família. É impossível citar aqui todas as qualidades do meu pai. Defeitos? Deve ter, mas pra mim como filho não tem significado pois o que vale mesmo é a forma como ele me trata; com amor, carinho, respeito às minhas idéias e aos meus sonhos… Pra mim, ta ótimo. É o que vale. Ele é um cara honesto, trabalhador e tem uma vida limpa. É um herói de carne e osso. Pra mim é suficiente e o necessário para eu crescer com a cabeça saudável.

August 11, 2006

As últimas das férias de julho

Bem, as férias de julho já se foram. Aqui na minha cidade é assim; lá pro meio de junho já se começa a respirar o clima das férias de julho. As lojas colocam nas prateleiras e mais precisamente nas portas mesmo (pra chamar a atenção da clientela) o estoque de mercadorias encalhadas, que não venderam nos anos anteriores, produtos como coisas de usar na praia, especialmente biquini para a mulherada. Não que eu seja um expert em moda, mas minha mãe e o restante das mulheres da minha vida são profundas conhecedoras de moda, pelo menos dizem que são. Eu acredito, não tenho escolha, sou macho e os machos normalmente não se ligam nesse negócio de moda, basta olhar pro meu pai, que é preciso minha mãe tomar atitudes drásticas algumas vezes com relação a combinação das roupas dele. Quando digo as mulheres da minha vida, me refiro, além da minha mãe, minhas tias e minhas divertidas primas, KAHELUD (que são: Karen, Hevelyn, Ludmilla), Raquel, Cristiane e por tabela, Laurinha e Letícia, que vem sempre para as férias. Tive que falar dessa turma, porque são criaturas muito engraçadas com quem me divirto muito, sempre no bom sentido e acabo aprendendo um pouco sobre a cabeça das mulheres, que as vezes são bem complicadas (se o carinha que elas tão a fim olha, elas disfarçam, se não olha elas ficam arrasadas). Mas essa é outra história que de repente posso falar depois. Voltando às férias: Quando chega julho, lá pelo dia 05, a cidade está cheia de gente de fora, turistas que vem curtir as praias do Rio Araguaia. Não é qualquer praia, estou falando de cerca de 2000 (dois mil) quilômetros de areias limpas. A cidade fica animada. É hora de conhecer pessoas e rever familiares que se programam sempre para aparecer nesse período. A praia mais visitada talvez seja a praia das gaivotas, que fica em frente a cidade e o acesso é fácil (não precisa passar pelo que passamos; veja no post anterior) e as pessoas lotam o local. Lá tem de tudo. As barracas, feitas de palhas, onde vendem lanches, cantam, dançam e brigam de vez em quando, etc. Essa praia, por ter de tudo um pouco, foi apelidada pelos cristãos evangélicos de Babilônia, que minhas primas chamam carinhosamente de Bábi. Na praia da Bábi, para alguns é considerada um antro de perdição, quando ouvi isso pela primeira vez tive que perguntar o que significa, se você caro leitor não sabe, pesquise também. Lá na Bábi, acontece de tudo e vê-se muita coisa, desde as mais lindas gatinhas de corpos bem… bem, como diria, esculturais ( não posso usar outro termo, pois minha mãe, não aprovaria, ela vive me dizendo que não se refere a uma mulher de qualquer jeito), cachaceiro, grupo de pagode, de rap, sem falar que cada barraca tem um som com uma música diferente e sempre tentando colocar uma música mais alta do que a do vizinho. Mas, o grande lance de lá é a paquera. As meninas, minhas primas, chegam, dão uma olhadinha como se não quisessem nada e vão a luta. Carol e Raquel, são as mais velhas do grupo (as que se responsabilizam pelo restante), são as ajuizadas e de vez em quando dão uma contada pra ver se a quantidade confere, se não está faltando ninguém, coisa de gente responsável, tá ligado? Eu sou o mais novo da turma e só vou porque minha mãe confia nas duas. As outras, vão porque as mães delas confiam nas duas, enfim, as duas tem um auto conceito com as mães dos primos adolescentes. Minha prima Carol, leva isso tão a sério, que fui obrigado a ouvir todo o teor de uma paquera muito promissora. Eu até quis sair de perto, pra ser legal, mas Ela disse: - fica aí, sua mãe disse pra eu não te perder de vista. Nesse caso, tive que ouvir tudo. Não vou contar porque fofoca é coisa de mulher, sem querer ofender, é claro. Bom. Minhas férias tinham tudo pra ser ruins, por causa do braço quebrado da minha mãe, mas acabou dando tudo certo. Me diverti bastante, agora é esperar o próximo julho.

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