February 11, 2008

Estou um pouco “DENGUOSO”

 

    Faz tempo que não escrevo nada por aqui. Não que não tenha acontecido coisas importantes, tem sim, mas eu é que sou preguiçoso mesmo. Preguiçoso só pra relatar as coisas, pois tenho trabalhado muito e estou bem feliz por isso. Sou muito ansioso e por isso minha genitora (rs) tem que ficar sempre falando que tudo tem seu tempo. E não é que ela tem razão? Não sei a sua, mas a minha tem sempre razão. Parece até que tem um manual secreto de como dar palpite certo para o filho.

E o tempo certo chegou. Há tempos eu estava desesperado pra aumentar meus conhecimentos na área da programação e fui gentilmente convidado a prestar serviços em um lugar que é o máximo pra região daqui. E o que é melhor; aprendo, troco conhecimento e ainda ganho salário. emoticon

Bom, acabei de sair do hospital. Estava internado com sintomas de dengue. Dengue, pra quem não sabe é uma doença transmitida por um mosquito FDP, que adora água limpa pra se procriar. O danado deixa suas larvas até numa tampinha de garrafa. Mas, mais FDP ainda é quem não cuida do seu quintal, deixando o lugar prontinho pra ser maternidade de mosquito. Conclusão: Tem muita gente doente por aqui. Uns graves, outros menos, uns morreram de hemorragia. Aqui em casa até o dogão recolhe coisas possíveis de juntar água no quintal; claro que por motivos diferentes, ele pega pra morder mesmo. Mas ele acaba sendo mais cidadão do que os que se dizem “humanos” e não passas de seres irracionais.

Eu perdi dois dias do meu precioso e produtivo tempo, internado no hospital, sendo furado pra tomar soro e injeções e tudo por causa da falta de consciência das pessoas. Estou feliz, porque foram só dois dias; tem gente que perde a vida mesmo. Eu fui cuidado a tempo e o Dr. Joaquim é gente fina, sabe o que faz. Minha mãe confia nele e conseqüentemente eu também confio.

Fiquei num aptº para ter minha mãe o tempo todo comigo. Nem me importo se alguém diz que sou o “filhinho da mamãe”, sou mesmo. rsrsrs

Se não deixassem minha mãe ficar comigo eu ia ter que citar o artigo 12 do ECA (estatuto da criança e do adolescente) aonde diz que “os estabelecimentos de saúde deverão proporcionar condições para a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável nos casos de internação da criança ou adolescente”. O ECA só esqueceu de garantir a permanência do animal de estimação, como acompanhante do seu dono no hospital (emoticon). Senti falta do dogão.

Mas, tudo está bem agora, ou pelo menos quase. Estou me recuperando em casa.

November 10, 2007

Olha eu Aqui!

  
    Pode parecer, que por eu não escrever constantemente neste  blog, que não anda acontecendo nada de interessante por aqui.  Não é verdade.  Sempre acontecem coisas, mas eu é que ando um pouco preguiçoso. Agora que parei pra pensar nisso, faço uma reflexão. Pensando bem, não é bem preguiça, ando me dedicando mais à programação, que é um negócio que eu amo fazer.  Consegui montar um cyber para um amigo meu chamado Beto, um cara super gente fina, muito batalhador, bem jovem, casado com uma garota muito legal que faz um bife acebolado delicioso. Almocei na casa deles algumas vezes durante a montagem do cyber. Eles estão esperando o primeiro filho e estão muito felizes por isso.

O cyber está funcionando e o programa que eu fiz pra gerenciar está funcionando a todo vapor. De vez em quando dá uns “paus”, mas nada grave. Ele me liga, pego minha bike e “voou” até lá e acerto tudo.

O Dogão vai muito bem, obrigado.  Está com quase nove meses, bem grande e muito sabido. Perdeu alguns péssimos costumes, como o de comer sapatos (só quando se sente muito solitário) e fazer as necessidades fisiológicas dentro  de casa, mas alguns velhos hábitos ainda cultiva, como o de querer secar os pés da minha mãe quando sai do banho.

Dogão foi convidado a participar de um concurso de cães e ganhou em primeiro lugar da sua raça. Tudo bem que a concorrência não era lá essas coisas, mas valeu.  Ele foi agraciado com uma medalha, um sabonete anti-pulgas, um shampoo, vermífugos e um saco de ração. Nossa foto saiu no jornal da cidade, ficamos meio famosos. Digo meio famosos porque a impressão do jornal é de péssima qualidade e a foto saiu borrada. Só nos reconheceram quem nos conhecia (emoticon).

Estive internado por quase três dias no hospital São Lucas. Tive uma febre muito alta de repente e minha mãe ficou apavorada com os 41 graus de febre, me levando rapidamente para o hospital, achando que poderia ser dengue.  O Dr. Joaquim disse que era por causa da minha garganta (aqui faz muito calor e eu tomo muita água gelada), mas minha mãe quase espremeu literalmente o doutor pra ele dar certeza que não era dengue. Então fiquei por lá até melhorar de fato.  Tomei muitos soros, vendo TV no quarto. A comida do hospital não é ruim, como dizem.  As enfermeiras são muito simpáticas e o Dr. Joaquim é do bem, como todo médico deveria ser.

Voltei pra casa e fiquei emocionado quando o Dogão me viu.  Não consegui saber quem estava com mais saudades, eu dele ou ele de mim…  Não tenho palavras pra descrever meu sentimento por ele.  É meu amigo e não me incomoda o fato dele ter medo de filhote de galinha e de barata. Mas enfrentou uma cobra que entrou na área de serviço da casa. Ele latiu desesperadamente nos fazendo ir até lá pra ver o que estava acontecendo. O Dogão é um herói.

August 10, 2007

Rumo ao sol

 
 
 
Para a cabeça de nós todos.

Aqui em casa gostamos muito de receber visitas. E quando a Eliana cogitou a possibilidade de vir de São Paulo passar uns dias por aqui, a alegria de anfitriões nos invadiu, especialmente a minha mãe, motivo maior da visita. Ela demorou a acreditar que Eliana atravessaria quase o país inteiro pra nos brindar com sua presença.

E começaram os preparativos de ambas as partes. Do nosso lado é que tudo estivesse de acordo para que Eliana se sentisse muito a vontade. Dogão recebeu ordens expressas para não tirar o creme dos pés da hóspede, como normalmente faz, enfim…

Do lado de lá, Eliana foi aconselhada a trazer na bagagem roupas leves, filtro solar fator de proteção 50 ou maior e umas encomendas bem particulares que só se encontra na região do Brás.

Eliana foi às compras buscando no vasto e chique comercio da Rua 25 de março roupas leves para enfrentar o calor e também roupa de banho pra se refrescar no Araguaia é claro…

Em outros tempos era só marcar a passagem pegar a mala ir para o aeroporto e pronto. Mas nos dias de hoje esse processo é só a primeira parte. Depois de estar no aeroporto Eliana enfrentou uma verdadeira operação de guerra para embarcar rumo ao sul do Pará.  Sul do Pará não, porque antes teve que passar em Brasília depois desembarcar no estado de Tocantins, onde havia uma simpática pessoa que lhe deu abrigo até chegar o momento dela embarcar na Van rumo, desta vez ao Sul do Pará, que é onde estamos.  Mas até nossa esperada visita chegar até aqui, demorou quatro vezes mais do que demoraria antes da gente saber que existia uma profissão chamada controlador de vôo.

Bom, o mais importante é que ela chegou e aí:

-“Oi  Miga!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

-“Que saudades, você veio mesmo, graças a Deus você chegou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Esse “você veio mesmo, graças a Deus você chegou” foi um desabafo desesperado da parte de minha mãe por causa do atraso da viagem. Era pra nossa esperada hóspede ter chagado muitas e muitas horas antes. 

Esse início de conversa se deu por volta de umas dez e meia da noite e foi até a chegante fechar os olhos involuntariamente.

Eliana trouxe muita alegria com seu jeito tão peculiar. Sua aparência chamou a atenção das pessoas nas ruas. Ela é diferente, tem um nariz muito empinado e andando pelas ruas daqui, mais parecia a finada Lady DI em missão humanitária por um país pobre. Não importa que seus pés tivessem parecendo uma tartaruga de tão inchados. Quem se importa… Nem ela mesma.  O que chamava a atenção era a sua singular simpatia e seu cabelo “emo”.  Ela é uma boa garota. Come o que tem, toma banho gelado, tem um papo muito animado além de ser uma excelente fotógrafa. www.flogao.com.br/elianaramos. É tão simpática que ganharia fácil fácil a eleição de vereadora e possivelmente seria a presidente da câmara.

Devo esclarecer que o nariz de Eliana é empinado não no sentido fresco da palavra, mas empinado de bem desenhado, herança de sua família européia.

Mas tudo estava muito bem e a programação se seguia com o intuito de nossa visitante se sentir feliz por aqui a ponto de voltar nas próximas férias.  A maior excursão pelo Araguaia estava organizada e o Dudú, meu primo, o melhor guia, coiote da região ia nos levar na sua “rabeca” de navegação. O dia tinha que ser muito proveitoso e isso incluía passeio as ilha da redondeza além de boa comida. A animação necessária e o bom tempo já estavam garantidos.

O que não podíamos prever é que em um desses lugares, havia uma arraia desesperada para encontrar uma vítima. Devo dizer que o lugar não era suspeito, pois a água era muito corrente, que segundo os sábios da região, impróprio para descanso de arraias. Mas a danada estava lá de plantão esperando… E encontrou um pezinho branco de número 34, o da minha mãe.

Como a vítima não fez escândalos, a dúvida da sala de espera do pronto socorro era se realmente havia sido picada por arraia e não por outro “bichinho”. Mas a constatação foi feita e a marca tinha sido feita mesmo por uma arraia.  O monstro mais temido do rio Araguaia. Monstro que de tão cruel mereceu uma música cantada por um compositor da região “se você quer saber o que é rabo de arraia, vá num banho no domingo na praia do Araguaia”.

Bom, tudo acabou bem, exceto pela má impressão que o rio Araguaia deixou para nossa visita. E apesar dos contratempos esperamos que ela volte outra vez.

 

Obs:

O kit básico para um pé esporado de arraia é: antibióticos, antiflamatórios, gaze, algodão, água boricada, mertiolate e tudo mais que a vizinhança indicar, porque eles sabem de tudo. Claro que os mais bizarros, como, mijo de uma virgem, minha mãe ignorou.

July 1, 2007

Aniversário do Blog

 HOJE É ANIVERSÁRIO DO BLOG DO BIGA! Chris, a prima responsável.
 

    Por pura preguiça deixei de documentar vários acontecimentos, mas também me aconselharam  a não ficar por aí “mexendo com o que não devo”. Isso me lembra muito aquela fase que o Brasil viveu no século passado chamada de ditadura militar, que a gente vê nos livros de história e eu assisti a um documentário produzido pela TV escola, onde o historiador Boris Fausto conta detalhadamente todos os acontecimentos dessa época.

Mas no meu blog só conto o que vejo acontecer e não tenho culpa se o “chefe” da cidade não cuida das ruas e as pessoas caem dentro dos buracos e quebram a perna ou perdem sua bicicleta, às vezes o único meio de transporte.

Eu só relato, como cidadão livre que sou, ou acho que sou. Sei lá. Deixa pra lá.

 

O fato é que hoje este blog faz um ano de idade. E estou escrevendo especialmente hoje para comemorar e agradecer por todos os novos amigos que fiz através dele. Mesmo com a dona Alzenir dizendo que “internet é coisa da besta fera meu fiii”.

 

Se bem que entramos no mês de julho e estou de férias. Toda minha família está bem e as musas do meu blog estão chegando na cidade. Hevellyn  e Ludmilla já estão na área. Logo as outras chegaram. E com as histórias que elas produzirem pretendo alimentar esse blog.

A Chris a prima responsável pela turma é quem escuta e faz cumprir todas as recomendações das mães do restante do grupo durante as diligências à praia e até em outros passeios.

A “babá” Chris agora tem um ajudante que é o noivo com quem vai se casar em breve.  O que é muito bom porque ela fica mais leve dividindo as responsabilidades além de muito feliz e sorridente.

Chris, que já era uma moça muito bonita, depois de arranjar o noivo ficou ainda mais bonita. O casamento é para dezembro e o tempo todo se escuta falar em lista de presentes, festa, quem vai carregar alianças, etc, etc, etc..

Só o Diogo não está muito satisfeito com o futuro casamento. Diogo é irmão mais novo da Chris e chora só de pensar na possibilidade da irmã casar, mudar e ainda levar os cachorros com ela. É um golpe duro demais pra ele.

Fico solidário com a situação do Diogo. Imagino o Dogão casando e tendo que ir embora… E ainda levando os cachorros.

May 23, 2007

Ao meu amigo Dogão

 Dogão de Shorts Momento de descanso
 

   

    Tenho andado muito ocupado ultimamente, mas refletindo sobre os acontecimentos dos meses passados, não posso deixar de documentá-los nesse blog meio abandonado.

Nem sei direito por onde começar.

Bom, fiz 13 anos, ganhei um cachorro e é aí que se vê na prática a velha máxima da vovó Anália que diz sempre “tem coisa que vem do mato pra casa”.  Eu estava levando a minha vidinha tranqüila, escola, poucos amigos, alguns artigos para minha coluna na Oficina da Net, música, passeios de bike… Mas não satisfeito com isso cedi ao desejo íntimo de ter um cachorro. 

Chris, minha prima, me presenteou, logo que sua cadela Dolly deu a luz. Quando meus olhos viram aquele bebê cão tão pequenino e bonitinho, não resisti e foi aí que meu instinto de filho único, que dos quatro aos sete anos de idade guardava todos os brinquedos quebrados e mamadeiras do bico rasgado esperando a chegada de um irmão, foi despertado.

Agora era só esperar o pequeno ser desmamado para que eu pudesse levá-lo pra casa, situação que foi antecipada pelo triste fato da cadela mãe morrer subitamente dezessete dias após o nascimento dos cachorrinhos deixando os pobrezinhos sem leite, problema que resolvemos com a compra de leite ninho e uma minúscula mamadeira.

As primeiras noites do canino em casa não foram muito confortáveis, minha mãe teve que encher a barriga dele de leite no meio da noite para que ele parasse de chorar.  Ela ficou com muita pena, afinal o coitado estava órfão.

Bom, Dogão  está com três meses de vida. Pesa atualmente 4,300kg. A mamadeira é coisa do passado e come ração numa velocidade incrível. Mas ele é muito veloz também em comer papel higiênico, revistas, plantas, sapatos, enfim, caiu na rede é peixe. Dogão não é preconceituoso muito menos seletivo com o que deve comer ou morder por pura diversão.

Está tão íntimo na casa que minha mãe diz que qualquer dia ele vai trocar a fechadura e ficar de dono da residência.

Quanto a mim, para mantê-lo na família tenho que deixá-lo longe de encrencas e isso inclui recolher os detritos expelidos pelo seu intestino e bexiga e também impedir que ele seque os pés da minha mãe com a língua quando ela sai do banho. Ela já disse pra ele que prefere secar os próprios pés com a toalha mesmo.

Já consegui ensinar algumas coisas para o Dogão, como jogar um brinquedo e fazer com que ele traga de volta.  É ótimo ver as orelhas dele balançando ao vento quando andamos de bicicleta ou quando apostamos corrida dentro de casa mesmo.

Um dia desses peguei Dogão dentro do guarda roupa de minha mãe mordendo um pedaço de um vestido dela, confesso que gelei. Mas cheguei a tempo de evitar uma tragédia.

Outro dia, encontrei-o com um sabonete na boca. Consegui tirar parte, mas ele comeu tão rapidinho… Essa travessura lhe rendeu uma diarréia e uma visita à Dra Sara veterinária da cidade. Mas devo confessar que o hálito dele ficou muito perfumado emoticon

Para concluir, só me resta homenagear o meu querido cão Dogão com um poema do Vinícius de Moraes, que peguei de uma apresentação em slides que minha mãe tem, devidamente adaptado por mim.

 

Cachorros, cachorros!

Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Quanto silêncio
Como o queremos!
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu sabão.
Cachorro, cachorro?
Melhor não tê-los
Cachorro é o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus pêlos
Chupam meia de chulé
Bebem xampu
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que um cachorro é!
 

Obs. Dogão é um Cocker.

January 7, 2007

Feliz ano novo!

 
 

    Amigos meus, que saudades de todos vocês. Estive fora do blog, curtindo as festas de fim de ano como todo moleque da minha idade que adora ganhar presentes no natal (e fora dele).

 

Aqui na minha cidade para esse natal houve um esforço dos lojistas para atrair mais fregueses, oferecendo de brinde uma decoração bonita e desejando como retorno bons lucros. Em uma loja pude presenciar a tentativa do dono em melhorar as vendas colocando um jovem rapaz vestido de Papai Noel na porta da loja. Isso seria normal se a barba tivesse bigode e os pés não tivessem de sandálias havaianas. Todo mundo que chegava perguntava pelo bigode e pelo sapato e o coitado tinha que contar que ele calça 40 e a fantasia veio sem bigode e com o sapato 37.

Já no supermercado até a faxineira estava com um gorro de Papai Noel, o que seria natural para a época se ela não demonstrasse um enorme desconforto ao limpar aquele chão, pingando suor (aqui faz um calor do cão), sem falar nos cochichos das pessoas passando lamentando a dureza que devia ser usar um gorro com um calor daqueles e ela tendo que fingir que não estava ouvindo nada…

 

Mas falando em presentes de natal, ganhei alguns, inclusive um MP3, fora os do bingo da noite de natal quando todos da família se reúnem (já é tradição) na casa da minha tia Evanilza, que dessa vez não teve tempo de organizar amigo secreto, portanto fez uma “vaquinha”, comprou umas “prendas” e realizou um bingo, que foi divertidíssimo, até  começarem a jogar os feijões uns nos outros e a cunhada da minha tia achar que estavam desperdiçando os grãos que poderiam ser cozidos nos próximos dias e mesmo assim continuaram a jogar e aí, o apelo foi pelas pobres crianças do mundo que passam fome… Enfim, após mais ou menos uns 10 segundos de reflexão a chuva de feijão continuou… E foi maravilhoso até eu perceber que quem começou essa brincadeira foi minha mãe, minha própria mãe e “contaminou” a todos. É que normalmente não se espera que mãe aja como uma “pestinha” de cinco anos em público (mesmo que esse público seja a família), só em casa. Mas refletindo melhor, entendi de uma vez por todas o porquê dela ser tão querida pela ala jovem e confidente das garotas adolescentes.

Bem, ganhei três prêmios no bingo; um chocolate, que doei ao meu amigo Fabrício; uma tigelinha plástica pequena, que doei para minha tia levar fibras para o serviço e assim facilitar seu regime e um chaveiro que resolvi ficar e ainda estou tentando descobrir uma utilidade pra ele.

Mas, adoro festa de natal, comidas de natal (sabe aqueles pratos só fazem para o natal?), as louças bonitas e os talheres de prata que saem do armário, histórias de natal, árvores de natal, enfeites de natal, ver minha avó Anália cochilando e até mesmo aqueles filmes chatíssimos onde alguém tem que salvar o Papai Noel e a noite de natal, não me incomodam. Também gosto do Pastor lembrando ao povo o que se comemora nesse feriado (que é o aniversário de Jesus e não do Papai Noel) e para aproveitar a igreja cheia diz o que mais leva as pessoas para o inferno o que é admirável, pois hoje em dia pastor não pode falar muita coisa por causa da concorrência, tem igreja em cada esquina e o risco de perder os fiéis é grande, levando em consideração que alguns fiéis são meio sem convicção.

E no outro dia é ótimo comer no almoço as sobras do peru e de tudo mais que se salvou e ficar analisando os presentes e ver a família decidindo o que fazer num mesmo ambiente, como ver o filme do super- man o retorno ou ouvir música ou ainda assistir o dvd do show do Bee Gees, uma banda que eu nem sabia que existia, que tem três caras que a mulherada  na faixa dos 40 acha “um charme” e cantam junto com eles: “I can’t see nobody, No I can’t see nobody, My eyes can look at you…”

E os comentários seguem: “-Homem tem que ser charmoso, educado, inteligente, não necessariamente bonito”.

Vira pra mim e diz: “-Vê-se aprende”.

Realmente os caras do tal show são feios mesmo.

E continuam:  “-Olha o Barry!”

O tal Barry recebeu o lenço de uma mulher passou no rosto, beijou e devolveu para a tal mulher que se derreteu toda por causa do gesto.

Aí pensei que deve ser muito fácil agradar mulher. Mas lembrei que no dia anterior um cara se deu muito mal nessa tentativa.  O tal sujeito armou um encontro com uma menina e foi tão assanhado que deve estar até agora tendo pesadelos com o que ouviu dela.

Aí minha mãe falou que alguém disse a ela que um homem até os 30 anos não sabe nem dar bom dia a uma mulher. Depois completou dizendo que o homem que lhe contou isso vai precisar mais de 40 para aprender a dar bom dia para uma mulher. Ela não quis dizer quem foi, mas o meu suspeito é meu pai.

Pensei no quanto deve ser difícil agradar uma mulher…

 

Bom, para finalizar, Feliz 2007 para todos.

 

Obs: 

Para quem se interessa por programação, visite:

www.vivaolinux.com.br/~gabrielbiga

www.gabrielbiga.tk

www.oficinadanet.com.br

Lá vocês encontrarão artigos meus.

December 9, 2006

Zé - Uma história real

    Zé, que se chama originalmente José, poderia ser uma cara normal como os muitos “José” ou “Zé” espalhados por aí, não fosse sua história de garoto que queria se dar bem na vida sem grande ou nenhum esforço.

Zé é um sujeito jovem, aparentemente saudável, sempre querendo se dar bem. Queria ser empresário do ramo hortifrutigranjeiro, e para isso resolveu roubar as galinhas da vizinhança. Uma das exigências para esse tipo de negócio é ficar no anonimato. Zé ficou tão conhecido que começaram a chamá-lo de Zé Galinha. 

Mas Zé, agora batizado como Zé galinha, não se deu por vencido e continuou na vida de pequenos roubos.  Pequeno para a polícia, porque pra quem foi roubado o roubo nunca é considerado pequeno e pude sentir isso na pele quando o pé de apoio da minha bicicleta foi “surrupiado” e a autoridade, a Diretora da escola disse “é só um pezinho de apoio”.

Mas, voltando ao Zé.

Zé Galinha já estava tão acostumado a se sustentar com a vida de ladroagem que ao sentir fome ia logo procurar algo que pudesse roubar com facilidade.

Certo dia, ele e um de seus amigos e companheiro de ofício, passando por uma casa sem muro, típica casa de cidade bem pequena, escutaram um chiado de panela de pressão e como a cozinha da casa era acessível, resolveu roubar a panela entrando pelo quintal. Enquanto ele corria com a panela, seu amigo ficou escondido imitando o som da panela de pressão. Quando o Zé estava numa boa distância, em segurança com a panela quente, o tal amigo correu também. A dona da panela percebeu que o chiado havia parado, resolveu investigar indo até a cozinha e viu que o almoço da família tinha sido seqüestrado e sem a menor chance de ser resgatado.  Dias depois ficou sabendo que tinha sido coisa do Zé.

Mas entre um roubo e outro, Zé galinha conheceu uma garota por quem se apaixonou perdidamente e foi correspondido. Depois de um período de namoro resolveram casar.

Zé Galinha havia convencido a todos, especialmente a família da noiva que havia mudado de vida. Voltara a ser apenas o Zé.  Estava trabalhando no ofício de confeccionar redes de pescar e sobrevivia vendendo seus honestos produtos.

Certo dia Zé resolveu fazer “uma social” com a família de sua futura esposa e convidou a todos para uma pescaria. O convite foi aceito e partiram para o Rio Araguaia curtir uma noitada agradável em busca de peixes. Claro que as redes de pescar foram fornecidas pelo Zé, como cortesia à sua futura família.

A noite chegou, redes já armadas e depois de uma animada conversa familiar, como já era tarde resolveram tirar uma soneca e enquanto todos dormiam, achando que quando acordassem encontrariam as redes cheias de peixes, Zé se antecipou e recolheu todas as redes com os peixes e fugiu. Escondeu tudo; redes e peixes e voltou como se nada tivesse acontecido. Foi então que aconteceu a recaída do Zé.

Quando todos acordaram, inclusive o Zé, foram ansiosos recolher as redes e a surpresa foi geral. Haviam sido assaltados enquanto dormiam. Ficaram muito chateados pensando que teriam que pagar as redes do Zé, afinal… caramba,  ele tinha sido tão gentil em convidar para a pescaria e oferecer as redes dele para o uso…

Dias depois descobriram toda a farsa do Zé.  Zé foi desmascarado e perdeu a futura família. A noiva terminou o noivado o pai da noiva ficou muito zangado e os ex-futuros cunhados queriam dar uma surra no Zé.

Com a recaída para o roubo, Zé resolveu fazer uma graninha rápida roubando uma vaca de um tio fazendeiro. Tava dando tudo certo. ,oi desmascarado e lus amigos, dormir para fazer dinheiro e conseguir voltar para a cidade.iam dar uma surra no Zgalinhas da v  Roubou a vaca e a gaiola de carregar a vaca. Mas não contava que seu tio ia cruzar na estrada com ele. E foi o que aconteceu. Zé abandonou a vaca na estrada mesmo e fugiu. Seu tio chamou a polícia e começou a caçada ao Zé.

Zé teve que dar um tempo em uma roça de amigos, para não ser preso. Por incrível que pareça, Zé tinha amigos. 

Quando estava completando um mês que o Zé estava na roça, trabalhando na lavoura pelo seu prato de comida, decidiu que não suportava mais aquela vida tranqüila.  Zé chorava todo dia de saudades da cidade. Não agüentava mais não ver uma televisão, apenas ouvia o rádio de pilha e apenas dessa forma ficava sabendo das novidades da cidade. Coisas como “O forró de ontem na praia foi um sucesso” ou “A festa do Peão de Boiadeiro será a melhor de todos os tempos”.  Zé não suportou e disse para o seu anfitrião:

- Rapaz, cadeia ficou foi pra homem. Eu vou-me embora. Posso morrer na cadeia, mas nesse meio de mato não fico mais.

Zé vendeu sua rede de dormir para um peão da roça para ter dinheiro e conseguir voltar para a cidade.

Zé diz que é vítima da sociedade, porque segundo ele esse negócio de estudar e trabalhar é muito cruel com o ser humano.  Disse que até tentou um serviço em um escritório aqui na cidade, mas o entrevistador não o aprovou na entrevista só porque ele falou a cruel palavra “pobrema”.  Só por isso!  Zé não entendeu que ele tinha dois; um era o “pobrema” do desemprego e o outro era o de falar “pobrema”.

Zé diz que tem uma vantagem. Não é “fichado” na polícia. A polícia não o encontrou em decorrência do roubo da vaca e o deixou pra lá. Segundo ele isso é proteção por ter o nome do pai de Jesus.

Falando em Jesus, Zé tem muito medo de arder no fogo do inferno, por isso foi se aconselhar com um Pastor que lhe disse “Meu filho, você é um miserável e infeliz pecador. Saiba que mesmo você sendo esse desgraçado, safado ladrão, Jesus te ama”.

Zé, apesar de um pouco ofendido, com os adjetivos que o Homem de Deus (o Pastor) tinha lhe dado, respeitou e aceitou ser um evangélico.

Agora Zé é um crente. Fala como um crente e acho que pela culpa que carrega ainda pelos seus delitos, se veste como um crente dos velhos tempos. Digo crente dos velhos tempos, porque os crentes de hoje querem se vestir igual aos componentes da Banda gospel  Oficina G3. Mas essa é outra história.

Bom, para finalizar quero dizer que essa é uma história real. Não posso dizer como fiquei sabendo de tudo isso, vai que o Zé não está bem convertido…  Eu heim!                    

November 25, 2006

VAI UM COPO D’ÁGUA?

Para Laurinha

    Sempre gostei de jogar xadrez, mas por falta de parceiro precisei me adequar a outros tipos de jogos para aproveitar melhor a boa companhia, especialmente por se tratar de pessoas tão agradáveis e que só as tenho duas vezes por ano, nas férias de julho e janeiro.  Então, cada minuto é importantíssimo.

Lembrei-me de relatar essa história porque recebi um e-mail sendo comunicado que na véspera de natal alguns dos meus parceiros de jogatina irão chegar.

Mas para jogar nosso jogo não é preciso um esquema cuidadosamente elaborado. No nosso caso o lucro ou vantagem é não encher a bexiga de água ou encher a bexiga. É o conhecido jogo do “copo d’água”.

Bem, analisei profundamente e pude concluir que é um jogo de repente criado por um médico especialista em cuidar dos rins. Não me lembro no momento do nome da especialidade e minha mãe não está presente para que possa me esclarecer. Ela entende bem disso, pois sofreu muito com pedras nos rins e já foi carregada no colo literalmente com uma crise dessas ficando internada por dois dias e quando voltou do hospital, lembro bem de uma de suas amigas se solidarizando com ela, dizendo que cólica renal dói mais que ter um filho e ela respondeu que ainda bem que ela só conhece a dor da cólica renal, o filho, que sou eu, nasceu de cesariana.

Mas provavelmente se minha mãe jogasse o “jogo do copo D’água” não teria problemas com os tais cálculos renais e consequentemente não teria que ter se recusado a fazer um exame para mapear as tais pedras para posterior implosão a laser. Ela se recusou porque o médico queria que ela assinasse um documento onde se responsabilizava, segundo ela, por sua própria morte, pois teria que ter injetado em suas veias um medicamento feito de iodo e caso fosse alérgica se despediria da vida ali mesmo. Ficou tão horrorizada que disse ao médico que tinha muito o que viver.  Voltou pra casa, encomendou garrafadas de chá de quebra pedra misturado com outras ervas medicinais e de acordo com o último exame de ultra sonografia seus rins estão limpos.

Mediante a história relatada não tem perdedores nesse jogo porque quem perde ganha uma lavagem grátis nos rins. Nesse caso o perdedor é o verdadeiro ganhador, concordam?

MINHA AVÓ ANÁLIA É O MÁXIMO


Vovó Anália com vinte e poucos anos de idade.

    Assistir televisão ao lado da vovó é sempre uma diversão à parte. Isso porque quando ela não entorta a cabeça no encosto do sofá e dorme, dando uma leve soprada pelo canto esquerdo da boca, fica fazendo comentários sobre o que está assistindo, tirando a “concentração” e a emoção da atração televisiva. No caso de novelas, nas cenas de romance ela diz logo “Olha que sem vergonha! Se cheirando com esse aí”, virando-se para quem estiver ao seu lado perguntando: “ela é casada? Quanto será que tá ganhando pra ser sem vergonha na televisão?”

Só pára de “sacanear” a atriz quando alguém diz que “é só uma novela!”.

Um dia estávamos assistindo um filme de grande apelo emocional, onde um cara já da idade avançada ia morrer e estava abraçando seu filho, reconciliando-se depois de anos de desentendimento, vovó não perdoou a cena e soltou logo: “O que esses dois machos tão fazendo se abraçando desse jeito?”.  Não tinha outra coisa a fazer a não ser sorrir. 

Mas aos poucos entendi que a vovó se comporta dessa forma porque só entende aquela parte do programa do Gugu onde ele fala “olhaaaa!!!”.

E quem precisa de televisão para se divertir? Minha avó nasceu e cresceu em um tempo que as pessoas não viam a vida passar diante de uma tela de tv. E a prova disso é o número de histórias que ela conta de sua juventude. Dá para perceber sua saudade dos bailes que participava, cheios de glamour. Era uma moça muito bonita de corpo perfeito (sem lipoaspiração e sem silicone) e requintada dos anos 50. Vejo suas fotos e é como se estivesse assistindo a um daqueles filmes antiguíssimos em preto e branco.

Ela conta que uma moça não sentava de pernas abertas, não falava alto e não falava nome feio. Conheço algumas gatinhas que precisavam aprender algumas coisas com a vovó, especialmente a não sentar-se com as pernas abertas, não que eu me incomode, mas elas sentam bem à vontade e acham ruim quando a gente olha.

Vovó, na sua experiência de vida, tem frases inteligentes e engraçadas e as duas coisas ao mesmo tempo, como essa que disse a uma garota muito jovem que não queria compromisso algum com trabalho e estudo e resolveu casar: “Minha filha, quem não presta pra nada, presta pra casar”. Ou ainda, quando vê alguém esbanjando dinheiro: “Coisa boa é dinheiro!”, completando e dando conselho a quem não gosta de economizar: “Guarda com os dentes para comer com as gengivas”. Quer dizer que tem que guardar enquanto jovem para quando ficar velho ter como sobreviver com dignidade.

E aí tem alguém que discorda que minha avó Anália é extremamente sábia?

October 27, 2006

A filósofa Vovó

    "Meu filho, cachorro não bota ovo;
Cachorro não dá leite pra gente beber;
Cachorro não serve pra gente matar e comer.”

    Frase dita por minha avó Anália ao meu primo Eduardo sobre os cachorros que ele cria e leva pra encher o saco na casa dela.

October 26, 2006

Felicidade

    "Almas infelizes envelhecem cedo"
(Camilo Castelo Branco)
 

CAÇA TALENTOS

Eu e a Beth no laboratório de ciências biológicas - Feira Vocacional da UEPA / 2006

        Já contei que minha mãe é professora. Por causa disso participo muito, desde pequeno da vida profissional dela em todos os sentidos. Como tenho muita habilidade em informática, procuro ajudá-la a preparar slides e tudo mais para que ela possa ministrar suas aulas, como ela mesma diz, de forma mais atraente e significativa.

Dias atrás aconteceu a feira vocacional da UEPA (Universidade do Estado do Pará), onde minha mãe trabalha e eu fui como convidado dela, que sempre demonstrou muito prazer em que eu a acompanhe nos eventos em que participa isso inclui alguns almoços e jantares deliciosos, já que sou o segundo na hierarquia dos dois homens (o primeiro é meu pai) da família e o primeiro tem outros compromissos.

Mas, a feira vocacional tem como objetivo levar estudantes para conhecer as dependências da Universidade e os cursos que ela oferece, ajudando os futuros alunos escolherem a futura profissão.

Esse evento me fez analisar os talentos de alguns dos meus colegas de aula e conclui que:

A Kauany poderia ser Psicóloga, especializada em hipnose ou advogada, pelo seu poder de convencer. Ela chega perto de alguém da sala e diz: “Por que você está triste?”. E continua conversando com o pobre coitado, insistindo na sua tristeza; sujeito esse que há poucos minutos estava sorridente e agora foi convencido que está mesmo triste.

Já pensou se ela usar isso para convencer os tristes a ficarem alegres? No momento não dá para conferir, porque na minha sala todo mundo é muito alegre. Antes eu achava que o Everton era triste, mas descobri que a tristeza dele é só quando tem alguma atividade e ele chora mesmo com lágrimas para convencer a professora que é muito infeliz deixando-a com muita pena dele. Quando a situação está controlada ele começa a se deleitar (essa palavra é muito usada na igreja “se deleitar no Senhor Jesus” e com todo respeito a Jesus e a Igreja, vou usar aqui) com os recortes de revistas de mulher pelada que trás de casa para vender na sala.  Nesse caso, o Everton poderia se dar bem como vendedor de produto pirateado, pela esperteza dele em conseguir manter escondido o material que trás e nenhum professor descobre (como meus professores não são meus leitores, não sou dedo duro). Claro que desejo coisa melhor para ele, como ator, cineasta (menos de filme pornô).

Já o Wanderson é um excelente desenhista e por ser muito bom no que faz levou uns “tabefes” do Diemisson, que é conhecido por Dadá, quando foi lançada uma propaganda da pepsi “dá, dá, dá”. Desenhou o Dadá com uma cabeça bem grande e um balão escrito “dá, dá, dá”.  Ficou um trabalho tão bom que o Dadá viu, se reconheceu e partiu pra cima. Mas o Dadá não é só violência. Quando não está tentando matar ou aleijar alguém é muito concentrado nos cálculos de matemática e demonstra muita facilidade em fazer contas. Por essa razão pode ser um Matemático. O que é mesmo que um matemático faz?

Já estava esquecendo de dizer que o Wanderson  é rodador de livro. Pega um livro e gira no dedo por muito tempo. Não sei pra que isso serve, mas é divertido assistir a proeza dele.

O Maurício pode ser dublê de cinema.  Ele empina bicicleta e virou herói quando cravou a marca do seu tênis na camiseta do cara mais perigoso da escola, salvando e dando proteção a todos os oprimidos e fracotes, que viviam aterrorizados com a possibilidade de ser alvejado pelo temido.

Bom, o Maurício pode ser também delegado, detetive, justiceiro, pistoleiro não.

Max Deiby. Com esse nome poderia ser dançarino de grupo de pagode, axé, mas com a voz que ele tem, daria para dublar a professora do Jimmy Nêutron. A voz é exatamente igual. No início do ano os professores falavam pra ele: “fala direito, menino”, achando que a voz era de brincadeira.

A Débora é alta e magricela e por esse motivo poderia ser modelo. No momento, o sonho dela é “pegar” um dos moleques do RDB, aquele grupinho mexicano. Abraça os recortes de revista e suspira alto na sala de aula.

Hulianne, Suzy, Karina, Flaviane e Juliane, poderiam ser líderes de torcida, se existisse isso aqui no Brasil. Elas dão aqueles gritinhos enfadonhos e cochicham, quando não estão lambuzando a boca do que elas chamam de gloss.

Como não existe essa “profissão” aqui no Brasil, elas podem ser jornalistas de programa de fofoca, que contam a vida dos artistas.   

O Thailson é o perseguidor das meninas do “gloss”. Tem hábitos muito estranhos, como passar a mão na região glútea das garotas e já quase foi expulso por esse ato contraventor.  Diz que vai ser diretor de cinema. Não quero dar palpite sobre que tipo de filme irá dirigir.

Yuri poderá ser um experimentador de comida (será que existe essa profissão?). Na hora do lanche, sai tirando pedaço do lanche de todos os distraídos. 

Charles pode ser cantor de brega (ritmo aqui do Pará) canta todos os hits da Banda calypso. Só falta pintar o topete de branco igual ao Ximbinha. Deus me livre!

Ana Paula além de dar uns gritos bem fininhos, é uma excelente desenhista e tem uma imaginação incrível.

Jaylane será mãe de família. Tem 14 anos e está grávida.  É verdade, ela está grávida mesmo por mais absurdo que possa parecer.

           Bom, todos da minha sala têm muita imaginação, mesmo os que não foram citados aqui.  Todos têm muito tempo para decidir o que serão de verdade na vida adulta, menos a Jaylane (a menina grávida) que não pode mudar o fato de ser mãe tão nova.

De acordo com o Einstein a imaginação é mais importante que o conhecimento. Será?

Acho que a combinação dos dois pode ser muito importante.

October 15, 2006

Produto final de um Professor após 25 anos de serviços prestados

Uma homenagem aos Professores pelo o seu dia. 
 
 
October 11, 2006

O QUE É DEMOCRACIA ?

    Descobri que as pessoas que atendem os eleitores nas salas de aula das escolas, transformadas em zonas eleitorais no dia da eleição, são pessoas que foram intimadas através de cartas mandadas pela justiça eleitoral, dizendo que eles teriam que passar o dia inteiro da votação vigiando o povo votar. Desculpas não são aceitas, o sujeito tem que ir mesmo. Na pior das hipóteses eles foram pelo menos comunicados.

Agora, o que me deixou chocado foi saber que no dia da eleição o sujeito denominado Presidente da mesa, caso falte o seu assistente, tem poderes para ir até a fila dos votantes e “recolher” qualquer um que julgue apto ao trabalho. O escolhido não pode dizer não e se disser poderá ser preso. Isso é incrível! Significa que quando eu puder votar, corro o risco de receber a tal carta e também de ser recrutado na fila da eleição e ficar o dia inteiro lá “servindo a Pátria”. Me ocorreu a seguinte cena. Eu na fila sendo “convidado” e com cara de tristeza e indignação, digo que não posso, tenho compromisso ou estou com o intestino indisposto ou excessivamente disposto ou ainda que sou filho único, portanto arrimo de família (pode aparecer um eleitor ou um candidato exaltado e mandar bala) e aparece o Janinho meu amigo policial que me diz: com a voz bem tranqüila de sempre:

    - Maluco, vou ter que te prender. Tu não devia ter dito não para a Pátria, maluco. A norma é essa. Disse não, vou ter que te levar preso. Desculpa aí, mas se eu não te prender vem outro e prende nós dois.

E eu respondendo:

    - Maluko, nos não vivemos numa democracia? Direito de ir e vir?

E ele me respondendo:

    - É Maluko, nesse caso aqui, o direito é só de vir e tu veio e tinha que ter
aceitado ficar.  Ir na tua situação é só mesmo pra “cana”.

    Bom, diante da minha mais recente descoberta, vou pesquisar melhor o que significa democracia.

September 25, 2006

Horário Político

    Apesar de não votar (tenho doze anos, faço treze em março), vejo o horário político na televisão, para saber o que os caras pretendem fazer com o dinheiro que pagamos de impostos (digo pagamos porque eu sou consumidor e mesmo não tendo um emprego, pago impostos através dos meus pais) e me divertir com os candidatos se humilhando ou procurando ser engraçados para conquistar o eleitor. Vale tudo!

Cruel mesmo foi ver um candidato a governador dizer que se for eleito irá tratar todas as mulheres do seu estado como ele trata a esposa dele e a filha. Pensei e cheguei à seguinte conclusão: Ou ele trata a esposa muito mal ou pretende tratá-la. Se ele ganhar, sua esposa e a filha gatinha vão consultar no posto de saúde, trabalhar por um salário mínimo e coisas mais que as mulheres comuns fazem.

Para concluir, eu no lugar da esposa e filha do candidato não votaria nele. Elas estão correndo muito perigo. Se ele cumprir o que promete, elas não terão mais dinheiro para pagar por sua elegância.

Ah, bom. Meu pai me esclareceu que, o que o candidato quis dizer é que se ele ganhar as mulheres terão todos os benefícios que a esposa e a filha dele tem.  Entendi. Estou aliviado. A esposa e filha do candidato podem ficar tranqüilas, elas não correm perigo. Quem corre perigo são as mulheres do estado do tal candidato se votarem nele achando que terão a vida da esposa e da filha do “homem do povo”.

Todos nós corremos perigo até os que não votam, como eu e os que votam, mas dizem que não tem nada com isso.

September 18, 2006

Em resposta a Paulo Brabo

    Nessa situação minha mãe diria que você é um cavalheiro. Eu prefiro dizer que você é um sujeito muito simpático e que gosta de incentivar os principiantes, especialmente os adolescentes, a ingressarem no mundo da escrita. http://www.baciadasalmas.com/2006/o-blog-do-biga
Até pouco tempo não tinha internet em casa. Moro em uma cidade pequena no sul do Pará (como citado nos posts) e só temos internet a rádio, o que dificulta o acesso pra muitos. Quando morávamos em São Paulo, tinha acesso irrestrito o que me deixou um pouco  chateado ao mudarmos pra cá.

Então, quando minha mãe  fez o contrato pra termos net aqui em casa, fiquei muito feliz, pois assim compensaria algumas defasagens no que se refere à pesquisa, especialmente sobre programação, área que me fascina e me rende alguns trocos como free lancer, claro além de outros benefícios que só quem está conectado à rede tem.

Bem, com internet em casa, tive a oportunidade de conhecer o Pró Tensão César Miranda, que mora em Brasília, de quem tive a honra de ganhar o livro WUNDER BLOGS.COM autografado.

Já conhecia pessoalmente César Miranda através de minha mãe que sua amiga desde a infância, mas como eu era muito pequeno o diálogo não passava de: “e aí Biga”, “e aí César”.

Depois de ler o Pró Tensão, virei amigo do César Miranda e o nosso diálogo evoluiu para longas conversas no msn.

Quando criei o Blog, claro que foi inspirado em César Miranda, mas não com a pretensão de ter o seu sucesso. A princípio queria “fazer graça” para minhas primas, que seriam (acreditava eu), leitoras, além do meu ídolo (no bom sentido) César Miranda, minha mãe e meu pai.

Pai e mãe lêem qualquer coisa que o filho escreve e dizem: “que maravilhoso! Está incrível!” e um vira pro outro e complementa dizendo: “Ele é demais!”. Descobri isso aos cinco anos na alfabetização, quando chegava da escola com aquelas garatujas escritas “man ti amu” (mãe te amo), que ela guarda até hoje e esfrega na minha cara de vez em quando, sempre acompanhada por um todo meloso “que fofo!”.

Mas, quando decidi ter o “meu blog”, mesmo que fosse pra tirar sarro das meninas da família, teria que ser bem escrito e com riqueza de detalhes. Escrevo sobre a minha vida diária, acontecimentos que tenho oportunidade de fazer parte de alguma forma. Eu só conto tudo escrevendo do jeito que acho que ficará melhor pra ser entendido e pra isso consulto a gramática e o dicionário.

Nunca pensei em ter outros leitores além dos citados acima e ter aceitação dos excedentes (leitores).  Escuto por aí que temos que trabalhar muito duro para ter resultado de alguma coisa.

Eu não trabalhei duro coisa nenhuma pra fazer esse blog e estou me sentindo um amador muito feliz com as visitas de pessoas tão simpáticas espalhadas pelo Brasil. Pessoas que me tratam como amigo e eu os trato como família.

Se bem que a Arca de Noé foi feita por um amador e o Titanic por profissionais.

Já li na Bíblia que há amigos mais queridos que irmãos. Admiro bonitas amizades como a de minha mãe e Darlene, por quem minha mãe foi ajudada a concluir seu trabalho quando estava com o braço quebrado; minha mãe e Léia, uma amizade da vida toda, minha mãe e César Miranda, uma amizade onde o tempo e a distância não existem… Não tenho irmãos, talvez por isso seja um pouco abusado, no bom sentido. Aqui em casa não tem moleza não. Deixa eu não lavar o quintal pra ver o que acontece. Não me atrevo a descobrir. Sou abusado no sentido de ter alguns privilégios, como assinatura de revistas, adquirir livros, um computador potente.

Bom. Amizade é o que desejo que esse blog me traga. E já está me trazendo.

Valeu Paulo Brabo!

September 17, 2006

NOTA DE ESCLARECIMENTO

    Em respeito aos meus três ou quatro leitores e quem sabe muitos no futuro, quero esclarecer que mudei de blog para maior rapidez de acesso ao conteúdo que nele postarei futuramente.

Desde já quero agradecer pelas visitas passadas e futuras.

            Thanks. emoticon

August 30, 2006

JOGOS INDÍGENAS – PARTE II – EPÍLOGO

No último dia dos jogos indígenas, foi organizado um momento especial, para o encerramento, quando a comissão organizadora pôde fazer todo o “balanço” dos dias do badalado evento, regado a rasgação de seda e puxação de saco. É claro, que o prefeito, como principal autoridade da cidade estava lá no centro de tudo, pra ser vaiado de novo. Digo de novo, porque os seis dias desse evento foram marcados pelas competições entre as tribos, paqueras, shows de músicas bregas do Pará e as vaias que o prefeito ganhou de presente que poderia dizer sem dúvida, um sucesso absoluto. Um evento a parte, porque todo mundo se mobilizava para estar sentadinho na arquibancada e dessa forma não correr o risco de perder o momento em que o governante municipal era chamado ao palco e então, juntarem-se em coro para a vaiada geral.
Por ser o último dia, era também a última das raras oportunidades em que grande parte dos cidadãos da cidade estavam juntos para expressar seus sentimentos de insatisfação através da vaia. Era comum ouvir as pessoas combinando entre si: “-Tá quase na hora, vamos lá dar uma força”.
E assim, todas as vezes que o cacique da cidade – o prefeito- era convocado ao palco principal, a vaia começava e ia tomando proporções que realmente acabava sendo o momento mais emocionante e divertido do evento.
Percebi que as pessoas se sentiam felizes depois desse desabafo. Nos gritos de “uuuuuuuuu” estavam sendo colocados pra fora toda a vontade reprimida pelos populares de esganar o prefeito. Só podia ser isso. Óbvio que era isso.
Meu Deus (pausa para um momento de reflexão), ainda bem que minha tia não ganhou a eleição para prefeita, porque eu ficaria numa situação muito complicada. Num momento histórico, onde as pessoas da cidade reunidas quase em peso; estudantes, professores, ricos, pobres e até índios. Eu ia ficar constrangido entre dar uma força pra democracia através da vaia, porque vaiaria minha própria tia. E minha situação familiar, como ficaria? Criaria um incidente na família considerado gravíssimo, seria uma traição.
Independente de qualquer coisa, de qualquer prefeito, seja o político que for ele tem que ser vaiado pelos cidadãos de bem. Cidadão que é cidadão de verdade tem que exercer o seu direito de vaiador. E foi o que eu fiz naquele momento me juntando aos demais cidadãos e sem dor na consciência (minha tia não ganhou mesmo - pausa para risos).
Mas no último dia, a vaia foi especial, além de ser o último dia do evento, o cacique que estava representando todas as tribos deu um generoso reforço quando disse (no final, na hora da troca de presentes), para o prefeito que Ele (prefeito), era dono do povo mais animado do Brasil e que tinha a obrigação de ser muito feliz por isso. Aí foi, definitivamente, sem dúvida o momento mais… mais… mais estonteante, marcante dos seis dias debaixo de um sol de 50º, pra ver aqueles índios espetando as coisas com suas flechas. As arquibancadas tremeram com as risadas do público, sedento de água (por causa do calor) e de uma boa piada. Eu também estava rindo e muito, mas minha atenção de repente foi roubada quando vi um homem com o corpo tremendo que parecia estar tendo um ataque epilético de tanto rir. Ria, ria e ria. Comecei a ficar preocupado porque ouvi falar que rir demais mata. Chorar demais não mata só deixa o cara, além de muito chateado pelo motivo que o levou a chorar (aliviado também), com os olhos vermelhos e com aquela cara de quem chorou. Se for minha priminha Anna Carolina, além dessas características citadas terá um soluço muito triste de partir o coração (mas acho que é porque ainda tem um ano de idade, depois ficará só com as primeiras características). Mas rir, dizem que mata. Meio contraditório, porque sempre vejo escrito por aí que rir é o melhor remédio, se bem que remédio também mata se for demais.
Mas, o homem estava totalmente sem controle e como ser humano cristão evangélico que sou, pensei que ele fosse realmente morrer. Se bem que se morresse acho que seria de felicidade (ia morrer rindo - um privilégio). E aí eu presenciaria alguém morrer de rir, literalmente. Não pensem que isso me deixaria feliz. Deus me livre. Só ia ver, por estar no lugar certo, na hora certa ou errada, sei lá. O importante, graças a Deus é que ele parou, sentou, ficou triste e danou a xingar o prefeito de “disgraçado, fiu de uma égua, infiliz”; dizendo isso e chorando. Quando vi o anônimo chorar, fiquei contente, porque assim ele dava uma desintoxicada do tanto que riu e se livrava da morte de tanto rir.
Bom, nunca saberei daquela “mistureba” de sentimentos (acho que com um pouco de cachaça) do pobre homem. Só posso imaginar que é mais um eleitor descontente. E eleitor descontente é o que não falta nessa cidade.

August 26, 2006

Não sou um E.T., ou sou?

Um grande amigo, blogueiro, me disse que tratava seu blog como um filho e isso me fez lembrar de quando nos mudamos para esta cidade (eu com meus pais é lógico).

Por se tratar de uma cidade pequena, as pessoas se conhecem pelo nome e temos muitos familiares por aqui, especialmente por parte da minha mãe, que embora não tenha nascido na cidade, viveu grande parte da sua vida, foi pra São Paulo, fez o que tinha que fazer por lá, e entre outras coisas, casou-se com meu pai, que é de São Paulo e nunca havia saído de lá, até vir morar aqui no Pará. Eu, embora nascido em São Paulo, como meu pai, já conhecia a cidade, pois em todas as férias de julho era trazido por minha mãe pra visitar a família, aproveitando pra fugir do inverno paulista e assim eu me recuperar da bronquite da qual era vitima. Segundo minha mãe, era comum o pediatra perguntar, lá pro mês de junho, se poderíamos viajar para o Pará em julho, pra eu respirar melhor e automaticamente dava para o médico uns dias de sossego; pelo menos ele teria um “goguento” a menos pra se preocupar e ser perturbado pela minha mãe, que telefonava desesperada nas madrugadas geladas de São Paulo, pra Ele dar um jeito na minha tosse.

Pois bem, chegou o dia em que não precisamos mais viajar mais para passar as férias no Pará, porque mudamos para o Pará, atitude que curou o meu problema respiratório. Hoje tenho resfriados como pessoas normais. Minha mãe, de tão agradecida a Deus pela minha saúde, resolveu socializar o meu inalador com os necessitados da cidade, que são os idosos fumantes e que de tanto se divertirem com um cigarrinho na juventude, hoje precisam da ajuda de uma inalação para conseguiram mais uns dias respirando aqui na terra. Não estou querendo rogar praga, mas estou achando que o próximo a ser beneficiado com o tal do inalador é o seu Gogó (de quem falo no post), pela quantidade de fumo que vi na mão dele no dia da praia. Se aquilo fosse maconha, seu Gogó ia ser considerado um traficante dos mais perigosos.

Quando mudamos pra cá, as pessoas me achavam muito diferente dos moleques da minha idade, inclusive eu. Eu, além de ser muito branco para o padrão das pessoas daqui, que são muito bronzeadas, não tinha as mesmas preferências no que se refere às brincadeiras. Por exemplo, não tinha ninguém pra jogar xadrez, conversar sobre programação (informática), DELPHI, C#, ASSEMPLER, ASSEMPLY, CLIPPER e coisas mais da área. Na única banca de jornal da cidade só encontrei revista de mulher pelada e revista de fofoca de tv. Fiquei arrasado e minha cuidou para que eu tivesse acesso a muitas das literaturas que eu encontrava facilmente numa banca de jornal de São Paulo e aqui só mesmo através de uma assinatura, para receber mensalmente, o que me causou muita ansiedade, esperando o dia da chegada, levando em consideração que pesaria no orçamento fazer a assinatura de todas as revistas que me interessavam e que eu tinha fácil acesso lá; minha mãe é professora e mesmo sendo professora universitária, não ganha tanto assim.

Mas consegui vencer meus primeiros meses na nova cidade, sem cinema e algumas modernidades da cidade grande. Fui conhecendo alguns caras, na faixa dos vinte anos e que por já serem adultos, tem muitas obrigações, como trabalhar pra se sustentar ou pelo menos ajudar no próprio sustento, o que fazia com que as conversas só pudessem acontecer nos finais de semana e quando estavam sem namorada. No começo fiquei um pouco revoltado com as namoradas dos caras; ô “minas” chatas. Depois pensei em arrumar uma namorada. Mas que garota de uns dezessete ou vinte anos ia querer namorar um sujeito de nove anos. Eu. Sem falar que o objetivo do namoro seria conversar sobre programação, informática. Só se fosse alguma “mina” com sérios problemas, inclusive mentais.

Até os parentes aceitarem o meu estilo de vida diferente dos garotos da minha idade, tive que ouvir coisas como:

- Pega um estilingue e vai pro mato pegar passarinho, rapaz.

(sempre aprendi que matar passarinho era crime ambiental que dá cadeia).

Outra:

- Vou te levar “pá” fazenda e te ensinar a amansar boi brabo.

(sobre bois, gosto muito da picanha retirada deles e bem passadas. Lembrei de uma churrascaria de São Paulo onde tem uma plaqueta nas mesas, escrito de um lado; “solta o boi” e do outro “prende o boi”, para que o garçon esteja sempre a seu serviço e nunca deixe nem sobrar, nem faltar carne no seu prato).

Chegou o momento em que tive que chamar meus pais, especificamente minha mãe pra discutir minha existência. Será que eu sentiria falta no futuro de apedrejar cachorros, matar passarinhos, levar choque de fio elétrico resgatando pipa, jogar pedra no telhado da casa dos outros, escrever coisa feia no muro da escola, fazer gestos obscenos, como mostrar a língua e o dedo do meio, caso fosse contrariado?

Foi então, que aos nove anos, com a ajuda dos meus pais, entendi que não era um ET. Era um ser humano menos primitivo que os seres humanos daqui. E é aí que entra o meu amigo César Miranda, que tive a honra e o prazer de conhecer, como se já O conhecesse há anos, do infelizmente finado Pro Tensão, que teve uma infância muito parecida com a minha e se tornou um adulto normal, bem humorado e feliz. Certamente que não tenho a pretensão de ser um blogueiro famoso como Ele e nem teria talento pra isso, eu acho. Seria impossível (pelo menos por enquanto) vocês me virem numa foto no Orkut lendo Muriac (o César é um intelectual, o maior). Eu só estou me divertindo e tendo a chance de conhecer talentos de verdade como o César, o Igor, o Alexandre Soares Silva, o Ruy Goiaba e outros. O que quero mesmo é ser um excelente programador e pelo caminho fazer bons amigos.

Bom, tenho só doze anos… E a certeza que tenho mesmo é quero fazer bons amigos pelo caminho e quem sabe daqui um tempo arrumar uma namorada normal e da minha faixa etária.

August 21, 2006

JOGOS INDÍGENAS EM CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA- PARÁ

 
 
PARTE 1

A semana passada foi toda de preparativos, por parte dos organizadores, para a minha cidade, Conceição do Araguaia, sul do Pará, ser a sede dos jogos indígenas. O 3º jogos indígenas. Meu Deus, eu nem sabia que índio jogava. Meu Deus, eu nem sabia que ainda existia índio, além dos livros e imagens antigas da tv. Meu Deus estou emocionado, vou ver índio. Índio, índio mesmo, aqueles caras que os livros dizem ter sido os primeiros habitantes do Brasil. Que, quando os caras que descobriram o Brasil chegaram aqui encontraram eles (índios) curtindo água de coco e tudo mais e aí Pedro Álvares Cabral e sua turma sacanearam os coitados dando uns presentinhos bem do estilo 1,99 pra comprar a confiança e a amizade deles e botar os coitados pra trabalharem de graça e depois roubarem as terras deles. Sinto-me obrigado a dizer que essa relação entre eles era chamada de escambo (viva a professora Clara, de história, aprendi isso com ela).
Como será um índio???? Pele vermelha, as senhoras com seios avantajados e bem caídos, dependurados com um indiozinho mamando o tempo todo????? Será que é assim?
Ansioso, pergunto pra minha mãe que responde:
- Sei lá.
Como, sei lá? Esqueceu que mãe tem que ter todas as respostas? Mãe, antes de ter um filho tinha que comprar uma Barsa (encicoplédia) onde tivesse todas as respostas, pra nós filhos sermos poupados desse tal de “sei lá”.
Deixa pra lá. Preciso dar asas a minha imaginação, pelo menos até chegar o momento de ver tudo.
Chegou!!! Chegou o dia tão esperado. O estoque de fogos está sendo “explodido” na Praia das Gaivotas (conhecida como praia da Babi- veja meu antigo post). Tudo foi preparado. Arena para as competições, arquibancadas, banheiros, etc. (esse etc é sempre necessário para economizar palavras).
Está na hora. Estou ansioso, ansioso nããão, ansiosíssimo… Desesperado para ver um índio. Preciso ficar calmo, seguindo o conselho da minha mãe, que diz:
- Calma! (enquanto tira fotos de tudo e de todos. Ela é fotógrafa por prazer)
Estou na arquibancada. Vai começar! Vai começar! Cadê os índios?
O locutor está com a voz trêmula e tentando animar as pessoas da arquibancada, dizendo:
- Vamos pessoal, vamos aplaudir, vamos, força nas palmas…
Então, vi o desenho de um peixe bem “grandão” e o desafio dos índios era dar uma flechada no olho do peixe desenhado.
O Terú foi o primeiro. Terú, tremia as pernas mais que o perna longa (o desenho animado) e de tão nervoso, errou. Depois que quase me mijei de rir, caí na real e fiquei com dó do Teru. Claro que isso aconteceu depois que minha mãe e a Glória (nossa amiga), colocaram as duas mãos na cabeça e fechando os olhos gritaram: “Tadinho!”.
O locutor, disse logo:
- Ele errou por falta de aplauso, pessoal. Ele é muito bom nisso! Ele é o melhor, quer dizer, todos são os melhores! (acho que ele ficou com medo de levar uma flechada dos outros e por isso resolveu dizer que todos eram muito bons).
Mas, chegou o momento que achei o mais incrível, fantástico. Meu Deus! É a versão indígena da Xena, a princesa guerreira!!!!! Uma visão emocionante para meus olhos de 12 anos. Estou encantado com a beleza selvagem! Fiquei tão, tão, tão sei lá o que (não acho palavras para expressar minha emoção, se encontrar alguma até o final, escrevo, nem que seja lá no rodapé*).
A princesa guerreira indígena acertou as três tentativas de flechar o olho do peixe. Levou o público a loucura. Parecia um jogo de copa do mundo (não aquele Brasil e França, pensem em um de Brasil e Argentina e o Brasil ganhando de goleada é claro).
Bom, flecha vai, flecha vem, resolvemos dar uma volta pelo lado de fora da arena, porque eu ainda necessitava ver um índio de perto, bem de pertinho.
Depois de tanto andarmos pela praia chegamos ao acampamento dos índios; as cabanas feitas de palhas. Jesus Cristo, aqui tem índio mesmo! Homens, mulheres, crianças… E eram índios mesmo! Todos com seus trajes de índio.
Minha mãe disse logo:
- Oi, tudo bem? Posso tirar algumas fotos de vocês?
Gentilmente, foi atendida e os simpáticos nativos posaram para as fotos. Agradecemos e fomos visitar outras “tocas”.
Foi então que encontramos um índio que provavelmente não estava num bom dia. Estava sentado, meio triste, cara de bravo, com uma mulher do lado (uma índia a quem minha avó Anália chamaria de “feia sem defeito”). Quando o tal índio viu a máquina fotográfica da minha mãe disse:
- Foto só pagando. 5 real. Foto rouba saúde da gente!
Aí, minha disse.
- E os cinco reais são pra devolver a saúde?
E Ela, pra desabafar ainda ficou falando umas coisas em inglês do tipo: “I don’t understand, sorry” só faltou dizer para o índio, “vai te lascar, nativo infeliz” em inglês é claro. Ela não seria tão corajosa pra dizer isso no bom e velho português, muito menos no tupi guarani e não é só porque é muito educada.
A partir daí, fiquei preocupado com medo daquele índio dar uma flechada na minha mãe, por causa da resposta não muito simpática que Ela deu pra ele. Ficou muito claro que ele não gostou dela.
E, para fechar o dia glorioso e cheio de novidades, tive a mais maravilhosa de todas as visões, DANIELA. Embora o nome seja brasileiro comum, trata-se de uma índia de 14 anos linda, de olhos negros e inocentes como o seu sorriso. Tive que disfarçar meu evidente encantamento. Despedi-me de Daniela, mas levei comigo uma foto…

* Não encontrei uma palavra adequada.

Fotolog do Biga
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